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Prisão do banqueiro Daniel Vorcaro renovou pressão por comissão de inquérito; governistas criticam financiamento de campanha
Ler matéria completaCompanhia comunicou que operações estão saudáveis e trabalha para aliviar endividamento
Ler matéria completaMiriam: celulares de Daniel Vorcaro tinham ameaças a adversários, inclusive jornalistas A crise envolvendo o Banco Master teve novo desdobramento nesta quarta-feira (4), com a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição. A detenção, determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorre em meio a investigações da Polícia Federal (PF) sobre uma rede que envolve fraudes, corrupção de servidores públicos e até o uso de uma "milícia privada" para intimidar opositores. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O banqueiro era controlador do Master, cujo encerramento das atividades no ano passado por decisão do Banco Central (BC) também resultou na liquidação de outras empresas do grupo, afetando milhões de clientes e exigiu o ressarcimento de bilhões de reais pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Veja abaixo os principais pontos para entender o colapso do conglomerado e a investigação que levou à nova prisão de Vorcaro. O que é o Banco Master e quais empresas faziam parte do grupo? Quais foram os principais motivos da liquidação do Banco Master? Por que o BRB tentou comprar o Banco Master? Quais foram as consequências das transações entre BRB e Master? Quem é Daniel Vorcaro e por que ele foi preso? O que diz a decisão de André Mendonça que levou à nova prisão de Vorcaro? Qual é a relação do ministro Dias Toffoli com o caso? Como ficaram os clientes dos bancos liquidados? O papel do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) 1. O que é o Banco Master e quais empresas faziam parte do grupo? Foto de 28 de fevereiro de 2026 mostra o prédio que abrigava o Banco Master, no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, cercado por tapumes Felipe Cordeiro/g1 O Banco Master teve origem em 1974, como Máxima Corretora de Valores e Títulos Mobiliários. Ao longo das décadas, passou por expansões e mudanças societárias até se transformar em um conglomerado financeiro com atuação em crédito, investimentos e gestão de recursos. Sob o controle do banqueiro Daniel Vorcaro, a instituição ganhou visibilidade ao oferecer produtos de renda fixa, como CDBs, com rendimentos muito acima da média do mercado — estratégia que acabou encobrindo uma grave crise de liquidez e insolvência. O Banco Central classificava o Master como um conglomerado de pequeno porte (segmento S3), com cerca de 0,57% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Em 18 de novembro de 2025, o grupo sofreu liquidação extrajudicial devido ao comprometimento de sua situação econômico-financeira e ao descumprimento de normas do sistema bancário. As principais empresas do Conglomerado Master ou ligadas ao grupo eram: Banco Master S/A – instituição líder do conglomerado. Banco Master de Investimento S/A – braço voltado a operações de investimento. Banco Letsbank S/A – anteriormente ligado ao Banco Master e liquidada pelo BC Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários – corretora do conglomerado. Banco Master Múltiplo S/A – entidade submetida a regime especial para tentar preservar as controladas. Will Bank (Will Financeira S.A.) – banco digital voltado a clientes de baixa renda, adquirido em 2024 e liquidado em janeiro. Banco Pleno – outra instituição do grupo que também entrou em processo de liquidação. Reag Investimentos – embora apresentada como gestora independente, investigações indicam que era ligada ao Banco Master e teria participado da estruturação de fundos usados para inflar artificialmente o patrimônio da instituição. Em janeiro, o BC decretou aliquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM. Trata-se da empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos. Volte ao índice. 2. Quais foram os principais motivos da liquidação do Banco Master? A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, foi motivada por uma combinação de deterioração financeira acelerada, indícios de fraude e descumprimento de normas regulatórias. Segundo os documentos oficiais, os principais fatores foram: Crise de liquidez e risco de insolvência: o BC apontou “comprometimento da situação econômico-financeira” e “deterioração da liquidez”, indicando que o banco já enfrentava risco concreto de quebra. Captação a custos elevados: para cobrir rombos operacionais, a instituição passou a oferecer CDBs com taxas muito acima do mercado — até 40% superiores à média ou entre 130% e 180% do CDI. Especialistas interpretam essa estratégia como um sinal de emergência financeira, após a perda de acesso a crédito mais barato. Exposição a ativos de alto risco: o banco concentrou recursos em investimentos considerados arriscados, como precatórios de recebimento incerto e empresas em dificuldades. Fraudes e emissão de títulos sem lastro: a Polícia Federal, na Operação Compliance Zero, apurou a criação de carteiras de crédito fictícias. O Master teria emitido cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem comprovar capacidade de pagamento, usando ativos inexistentes adquiridos da empresa Tirreno para inflar artificialmente o patrimônio. Descumprimento de regras do sistema financeiro: o BC citou violação às normas bancárias e desobediência a determinações da própria autoridade monetária. Fracasso nas tentativas de venda: negociações para evitar a quebra, como a proposta envolvendo o Banco de Brasília (BRB), não avançaram por falta de transparência, questionamentos de órgãos de controle e vínculos com investigações criminais. A liquidação foi decretada após o anúncio de uma nova tentativa de venda para a Fictor Holding, considerada inviável pelo BC diante da insolvência do grupo. Além da liquidação, houve bloqueio de bens dos controladores e a primeira prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro, acusado de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. À época, ele foi preso em flagrante, mas deixou a prisão após decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que também determinou a soltura dos outros quatro executivos do banco. Volte ao índice. 3. Por que o BRB tentou comprar o Banco Master? Agentes da Polícia Federal entram no BRB, Banco de Brasília, durante uma operação contra a emissão fraudulenta de títulos de crédito por instituições financeiras, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, em Brasília, Brasil, 18 de novembro de 2025. Reuters/Mateus Bonomi A tentativa de compra de 58% do capital do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), anunciada em março de 2025 por cerca de R$ 2 bilhões, teve como principais motivações a expansão estratégica da instituição e o respaldo político do governo do Distrito Federal. Segundo as fontes, os objetivos da operação incluíam: Formação de um grande conglomerado: a meta era criar uma instituição financeira de maior porte, com aproximadamente R$ 100 bilhões em ativos totais. Ampliação da atuação nacional: o BRB buscava reforçar sua presença fora do Distrito Federal, onde já mantinha agências em diversos estados. Fortalecimento patrimonial e estratégico: o plano previa que o BRB assumisse o controle do Master, com a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total. Apoio do Governo do DF: o governador Ibaneis Rocha foi um dos principais defensores da transação e sancionou em tempo recorde a lei aprovada pela Câmara Legislativa que autorizava a compra. “Socorro” financeiro sob investigação: embora apresentada publicamente como uma estratégia de expansão, investigações da Polícia Federal indicam que a operação teria funcionado como um alívio financeiro para o Banco Master, que enfrentava custos elevados de captação. A PF passou a apurar ainda se houve uso de créditos falsos para reforçar o caixa da instituição no mesmo período em que o BRB tentava viabilizar a compra e convencer os órgãos de controle sobre a solidez do negócio. A negociação foi barrada pela diretoria colegiada do Banco Central em setembro, sob o argumento de que não foram apresentados documentos suficientes para comprovar a viabilidade econômico-financeira da operação. Posteriormente, o fracasso dessa transação e de outras iniciativas malsucedidas contribuiu para desgastar o patrimônio e a credibilidade do BRB no mercado. Volte ao índice. 4. Quais foram as consequências das transações entre BRB e Master? A tentativa frustrada de compra e a aquisição de ativos suspeitos entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master geraram impactos financeiros, jurídicos e políticos, com reflexos sobre o patrimônio público do Distrito Federal. Entre as principais consequências estão: Deterioração do patrimônio e da credibilidade do BRB, que precisou apresentar um plano preventivo de capitalização ao Banco Central; Afastamento do então presidente Paulo Henrique Costa e investigações da Polícia Federal por suspeitas de gestão fraudulenta; Prejuízo de R$ 12,2 bilhões na compra de créditos considerados inexistentes da empresa Tirreno, vista como possível socorro irregular ao Master. Diante do rombo, o governador Ibaneis Rocha propôs transferir imóveis públicos ao BRB para viabilizar captação de recursos. O BC exigiu que o banco reservasse R$ 3 bilhões adicionais. O caso também provocou desgaste político e questionamentos de órgãos de controle, como o Ministério Público do DF e o Ministério Público de Contas. Volte ao índice. 5. Quem é Daniel Vorcaro e por que ele foi preso? Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Banco Master Daniel Vorcaro é o controlador do Banco Master e começou sua trajetória quando a instituição ainda era a Máxima Corretora, que transformou em conglomerado financeiro até a liquidação do banco. Ele foi preso duas vezes na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A primeira, em novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, ocorreu durante tentativa de deixar o país e envolveu suspeitas de emissão de cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem lastro, por meio de créditos inexistentes da empresa Tirreno. As acusações incluem gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A segunda prisão aconteceu nesta quarta-feira (4), por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, após análise de mensagens no celular do empresário, com indícios de ameaças, corrupção e tentativa de interferência em decisões regulatórias. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 22 bilhões em bens para ressarcir prejuízos ao sistema financeiro. Volte ao índice. 6. O que diz a investigação que levou à nova prisão de Vorcaro? A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro nesta quarta-feira (4), foi baseada na existência de uma organização criminosa com atuação violenta, interferência em órgãos reguladores e risco à apuração dos fatos. Foi a primeira medida de grande impacto de Mendonça após assumir a relatoria do caso, no lugar de Dias Toffoli. Os principais fundamentos da decisão foram: “Milícia privada”: as investigações apontam a existência de um grupo chamado “A Turma”, usado para monitorar e intimidar ilegalmente opositores, autoridades e jornalistas. Ameaças de violência: mensagens indicam ordens para agredir um jornalista e “quebrar todos os dentes” em um assalto forjado, além de menções à simulação de sequestros. Cooptação de servidores do BC: a decisão descreve o suborno de chefias da supervisão bancária do Banco Central, que atuariam como “consultores informais” do banqueiro, revisando documentos e antecipando fiscalizações em troca de pagamentos mensais de até R$ 1 milhão. Espionagem e invasão de sistemas: o grupo é acusado de acessar ilegalmente bases sigilosas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, da Interpol e do FBI. Risco à ordem pública e à investigação: segundo Mendonça, a liberdade dos investigados poderia gerar novas intimidações, destruição de provas e continuidade da lavagem de dinheiro. Danos bilionários: o esquema envolve a fabricação de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem comprovação de liquidez. Além da prisão de Vorcaro, a decisão determinou o bloqueio de R$ 22 bilhões em bens e valores do grupo, o afastamento de servidores do Banco Central (com uso de tornozeleira eletrônica) e a suspensão das atividades de cinco empresas ligadas ao banqueiro. Volte ao índice. 7. Qual é a relação do ministro Dias Toffoli com o caso? Ministro Dias Toffoli, durante a sessão plenária do STF. Gustavo Moreno/STF O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, teve papel central no caso do Banco Master: foi relator do inquérito, concentrou decisões no STF, decretou sigilo e autorizou buscas e bloqueios de valores. Sua atuação passou a ser questionada após a confirmação de que é sócio da Maridt Participações, empresa familiar que realizou negócios com fundo ligado à Reag Investimentos, grupo relacionado ao Master, incluindo a venda de participação no resort Tayayá. Também surgiram controvérsias sobre um voo em avião particular com advogado ligado à defesa e menções a seu nome em mensagens do celular de Daniel Vorcaro, dono do banco. Em fevereiro de 2026, Toffoli deixou a relatoria por “interesse institucional”. O caso foi redistribuído ao ministro André Mendonça, que passou a conduzir o inquérito e autorizou nova prisão de Vorcaro. Volte ao índice . 8. Como ficaram os clientes dos bancos liquidados? Will Bank: liquidado pelo BC, banco digital cresceu com foco em clientes de baixa renda Divulgação A crise do grupo Master levou o Banco Central a decretar a liquidação de sete instituições do conglomerado desde novembro de 2025, entre elas o o Banco Letsbank (BlueBank), Banco Pleno, Will Bank e corretoras vinculadas. A medida suspendeu imediatamente as operações dos bancos, deixando milhões de clientes com saldos bloqueados, que dependem do ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e dos procedimentos dos liquidantes. A situação varia conforme o tipo de produto e a instituição: 1. Clientes com investimentos (CDB, LCI, LCA e poupança) Esses investidores estão protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Limite: até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo principal e rendimentos até a data da liquidação. Banco Master: o processo está avançado; cerca de 84% dos credores (653 mil pessoas) já receberam, somando R$ 37,2 bilhões. Os casos pendentes envolvem situações mais complexas, como inventários e contas de menores. Will Bank e Banco Pleno: as listas de credores ainda não foram concluídas pelo liquidante, e o FGC não iniciou o pagamento geral. Houve apenas uma antecipação para clientes do Will Bank com até R$ 1 mil a receber. 2. Clientes do Will Bank (contas de pagamento) Este é o caso mais crítico, pois o banco digital tinha cerca de 12 milhões de clientes, em sua maioria de baixa renda. Sem cobertura do FGC: por ser instituição de pagamento, os saldos das contas digitais não são garantidos pelo FGC. Devolução integral via BC: por lei, esses recursos devem ficar segregados e custodiados no Banco Central, devendo ser devolvidos aos clientes. Bloqueio: a liberação depende da conclusão do levantamento contábil do liquidante; enquanto isso, há relatos de dificuldades para pagar despesas básicas. 3. Valores acima do teto do FGC Quem tinha mais de R$ 250 mil investidos tornou-se credor da massa liquidanda. O recebimento do excedente não é garantido e depende da venda dos ativos das instituições ao longo do processo. Investidores institucionais, como fundos de pensão de servidores públicos, que aplicaram quase R$ 2 bilhões no grupo, também estão nessa fila, sem proteção do FGC. 4. Empréstimos e cartões Dívidas: a liquidação não extingue obrigações. Parcelas de empréstimos, financiamentos e faturas devem continuar sendo pagas para evitar juros e negativação. Cartões: os cartões do Will Bank tiveram a aceitação suspensa pela Mastercard por inadimplência da financeira. Aplicativos: permanecem acessíveis apenas para consulta de saldo e extratos; transferências, saques e PIX estão desativados. Volte ao índice . 9. O papel do FGC no caso Master Fundo Garantidor de Créditos (FGC) Reprodução/LinkedIn O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) teve papel central no caso do Banco Master, atuando desde o socorro financeiro inicial até o ressarcimento em larga escala de investidores após a quebra das instituições do grupo. As principais funções e impactos do FGC, segundo as fontes, foram: Socorro financeiro pré-liquidação Antes da decretação da liquidação extrajudicial, o FGC tentou evitar o colapso do Banco Master. Em maio de 2025, concedeu uma linha de crédito emergencial de R$ 4 bilhões à instituição, renovada duas vezes enquanto o banco buscava compradores. Após a liquidação, o FGC passou a ser responsável por devolver recursos à maioria dos clientes, dentro dos limites legais. Limite de cobertura: até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ para investimentos em CDB, LCI, LCA, poupança e depósitos à vista. Volume de pagamentos: estima-se um desembolso de cerca de R$ 51 bilhões para cobrir as quebras de Master, Will Bank e Banco Pleno. Status do Master: aproximadamente 84% dos credores (653 mil pessoas) já receberam, totalizando R$ 37,2 bilhões. Antecipação no Will Bank: devido ao perfil mais vulnerável dos clientes do banco digital, o FGC antecipou pagamentos para cerca de 6 milhões de pessoas com até R$ 1 mil a receber. O volume elevado de saques drenou significativamente os recursos do FGC, que perdeu quase um terço do seu caixa, antes estimado em cerca de R$ 140 bilhões. Para recompor o patrimônio e preservar a estabilidade do sistema financeiro, o fundo estuda medidas como: antecipação das contribuições dos bancos associados; criação de cobranças extras e aumento das taxas para instituições de maior risco (de 0,01% para 0,02% ao mês sobre os depósitos); uso de parte do depósito compulsório junto ao Banco Central. Volte ao índice.
Ler matéria completaImposto de Renda 2026 Marcello Casal Jr./Agência Brasil A Receita Federal está fechando os últimos detalhes da declaração anual de ajuste do Imposto de Renda das Pessoas Físicas de 2026, em que os contribuintes informam os dados de 2025. Assim como no ano passado, prazo terá início em meados de março, mas a data exata ainda não foi definida, e terminará em 29 de maio. Serão cerca de dois meses e meio para o contribuinte acertar as contas com o Leão. A Receita Federal deve definir, na próxima semana, a data de abertura do prazo. A ideia é que a declaração pré-preenchida, modelo em que as informações são inseridas automaticamente no sistema, sem a necessidade de digitação pelo contribuinte, já esteja disponível logo no início do prazo de entrega. Os detalhes da declaração de ajuste do IR serão divulgados na segunda-feira (16) pela Receita Federal, com a publicação das regras no "Diário Oficial da União". Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os últimos dados da Receita mostram que 45,64 milhões de pessoas físicas enviaram as declarações do IR em 2025, 41% da população economicamente ativa (PEA), que somou, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 110,7 milhões de pessoas em fevereiro do ano passado. Quem é obrigado a declarar De acordo com cálculos do diretor tributário da Confirp Contabilidade, Welinton Mota, deverá ser obrigado a declarar, em 2026, quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00 em 2025. Esse valor ainda é uma estimativa, a ser confirmada posteriormente pela Receita Federal. Em 2025, foi obrigado a declarar quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 33.888,00 em 2024. ➡️ Veja outras regras de obrigatoriedade que valeram em 2025, mas que também precisam ser confirmadas pela Receira 2026: contribuintes que receberam rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma tenha sido superior a R$ 200 mil no ano passado; quem obteve, em qualquer mês de 2024, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas cuja soma foi superior a R$ 40 mil, ou com apuração de ganhos líquidos sujeitas à incidência do imposto; quem teve isenção de imposto sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguido de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias; quem teve, em 2024, receita bruta em valor superior a R$ 169.440,00 em atividade rural; quem tinha, até 31 de dezembro de 2024, a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 800 mil; quem passou para a condição de residente no Brasil em qualquer mês e se encontrava nessa condição até 31 de dezembro de 2024; quem optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física; Possui trust no exterior; quem atualizou bens imóveis pagando ganho de capital diferenciado em dezembro/2024 (Lei nº 14.973/2024); quem auferiu rendimentos no exterior de aplicações financeiras e de lucros e dividendos; deseja atualizar bens no exterior. Contribuinte deve se preparar Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Consultoria Contábil, recomendou que os contribuintes se antecipem e comece a separar os documentos antecipadamente. Quem entrega mais cedo, sem erros ou omissões, também recebe a restituição do Imposto de Renda nos primeiros lotes (após os grupos prioritários). "Nos dias que antecedem a abertura do prazo é importante mobilizar-se para reunir documentos e solicitar segundas vias do que estiver faltando. Também é fundamental cobrar os informes de rendimentos das fontes pagadoras, instituições financeiras e demais comprovantes necessários", informou Richard Domingos, da Confirp. De acordo com a consultoria, a organização antecipada reduz riscos de inconsistências, facilita a análise de possíveis deduções legais e permite planejamento tributário mais eficiente. ➡️Parte das informações buscadas pelo Fisco podem ser importadas da declaração do IR de 2025, ano-calendário 2024, caso o contribuinte tenha enviado o documento. Veja os documentos necessários Informes de rendimentos Bancos e instituições financeiras, inclusive corretoras de valores Salários Pró-labore Distribuição de lucros Pensão Aposentadoria Aluguéis de bens móveis e imóveis recebidos Programas fiscais como Nota Fiscal Paulista e similares Juros sobre Capital Próprio Previdência privada Comprovantes e controles de recebimentos Doações Heranças Livro Caixa e DARFs de Carnê-Leão Resgate de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Seguro de vida Indenizações Acordos com redução de dívidas Informes de pagamentos Assistência médica Assistência odontológica Seguro saúde (médico e odontológico) Reembolsos realizados por seguro saúde e/ou odontológico Despesas com educação (creche, pré-escola, ensino fundamental, médio, superior, pós-graduação, mestrado, doutorado etc.) Previdência privada Na ausência dos informes, será necessário reunir todos os comprovantes de pagamento, como notas fiscais, recibos e boletos. Comprovantes de Pagamentos e Deduções Efetuadas Comprovante de pagamento de previdência social Recibos de doações efetuadas Recibos de pagamentos realizados a prestadores de serviços, pessoas físicas ou jurídicas Comprovantes de gastos com profissionais da área da saúde: médicos de qualquer especialidade, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos Exames laboratoriais e radiológicos Aparelhos e próteses ortopédicas Próteses dentárias Cadeiras de rodas e andadores ortopédicos Despesas com internações e cirurgias, inclusive estéticas Comprovantes de bens e direitos Notas fiscais ou recibos de venda, compra e permuta de bens como automóveis, motocicletas, aeronaves, embarcações e imóveis Documentos que comprovem construção, reforma ou ampliação de bens Contratos de empréstimos concedidos a terceiros com saldo em 31/12/2024 e 31/12/2025 Demonstrativo de saldo de ações por ativo em 31/12/2025 apurados a custo médio Demonstrativo de saldo de criptoativos por ativo em 31/12/2025 apurados a custo médio Demonstrativo de saldo de ETFs por ativo em 31/12/2025 apurados a custo médio Demonstrativo de saldo de moedas estrangeiras por moeda em 31/12/2025 apurados a custo médio Dívidas e ônus Documentos comprobatórios da aquisição de dívidas e ônus com indicação do saldo em 31/12/2024 e 31/12/2025 Apuração de ganho de capital e renda variável Operações comuns em mercado à vista, opções e derivativos Operações day trade Memória de cálculo do Imposto de Renda sobre renda variável Operações com fundos imobiliários Memória de cálculo do imposto referente a fundos imobiliários Informações gerais Nome, CPF, grau de parentesco e data de nascimento dos dependentes Endereço atualizado Cópia completa da última Declaração de Imposto de Renda entregue Dados bancários para restituição ou débito das cotas do imposto Atividade profissional exercida atualmente
Ler matéria completaDaniel Vorcaro é preso pela PF em SP A liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado, e a nova prisão de Daniel Vorcaro, dono da instituição, marcam mais um capítulo de uma crise que já vinha se desenhando há meses e que também levou à liquidação do Will Bank e do Banco Pleno, integrantes do mesmo grupo. Vorcaro foi preso novamente nesta quarta-feira (4), em São Paulo, pela Polícia Federal, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos atribuídos a uma organização criminosa. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O banco operava sob risco elevado de insolvência, pressionado pelo alto custo de captação e pela exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado. Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações. O g1 explica a polêmica envolvendo o banco e os fatores que levaram à sua liquidação, além das prisões de investigados por fraude ao sistema financeiro. LEIA MAIS Banco Central determina a liquidação extrajudicial do Banco Master SAIBA MAIS: Como ficam correntistas e investidores após a liquidação pelo BC? ENTENDA: O que é FGC e qual seu papel no caso do Banco Master? PASSO A PASSO: Tem investimento no Master? Saiba como reaver seu dinheiro Breve história do Banco Master O Banco Master surgiu em 1974, inicialmente como Máxima Corretora de Valores e Títulos Mobiliários. Ao longo das décadas, a empresa passou por expansões e alterações societárias até se tornar o conglomerado financeiro conhecido atualmente como Banco Master. Nos anos 2000 e 2010, o grupo expandiu sua atuação para áreas como crédito, investimentos, gestão de recursos e outras operações. Nos anos mais recentes, ganhou destaque ao oferecer produtos com rendimentos muito acima do mercado, atraindo milhares de investidores. A partir de 2022, começaram a surgir dúvidas sobre a saúde financeira do banco, diante da captação cara, da exposição a ativos de risco e das negociações de venda que não avançavam. Tentativas frustradas de venda e deterioração financeira O Banco Master voltou ao centro das atenções em março do ano passado, quando avançou nas negociações para vender 58% do capital ao Banco de Brasília (BRB) por cerca de R$ 2 bilhões. A operação, que formaria um conglomerado com cerca de R$ 100 bilhões em ativos, passou a ser monitorada por órgãos de controle, como o Ministério Público do Distrito Federal e o Ministério Público de Contas, que pediram esclarecimentos sobre as condições da compra. O processo se arrastou enquanto o Master enfrentava dificuldades de caixa. Em maio, o banco obteve uma linha de crédito emergencial de R$ 4 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), renovada duas vezes. Ao mesmo tempo, buscava compradores para o Will Bank, seu braço digital. Na véspera da liquidação, a instituição recebeu outra oferta: a holding Fictor e um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos propuseram um aporte imediato de R$ 3 bilhões e a compra das ações do fundador Daniel Vorcaro, excluindo o Will Bank e o Master Investimentos. Com a liquidação decretada pelo Banco Central, a proposta perdeu validade. Como o colapso do Banco Master mostrou os limites da garantia do FGC CDBs a juros impossíveis O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição. 🔎 O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Essa remuneração pode ser pré-fixada (definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a indicadores como o CDI). Segundo o planejador financeiro e especialista em investimentos Jeff Patzlaff, o problema não era o CDB em si, mas o que justificava taxas tão elevadas. “No mercado financeiro, bancos saudáveis conseguem captar dinheiro barato, pagando algo entre 100% e 105% do CDI. Quando você via o Banco Master oferecendo 130%, 150% ou até 180% do CDI, isso não era generosidade — era um pedido de socorro”, diz o planejador. Segundo o especialista, esse movimento foi uma tentativa de captar dinheiro rapidamente após o banco perder acesso a crédito barato de grandes instituições financeiras. Esses investidores já haviam interrompido os repasses porque os números do Master não fechavam havia algum tempo. Sem acesso a crédito barato, o banco recorreu ao investidor pessoa física, oferecendo taxas "irresistíveis" para captar recursos rapidamente e tentar cobrir rombos operacionais. O risco também estava na qualidade dos ativos utilizados pelo banco: “Para pagar 150% do CDI, o banco precisaria emprestar a 200% ou 300% para ter lucro. Isso só é possível quando você empresta para quem ninguém mais quer, como projetos duvidosos ou precatórios judiciais incertos.” “As investigações indicam que o banco mantinha ativos ruins registrados como se fossem de boa qualidade e utilizava o dinheiro de novos investidores — captado por meio de CDBs com juros elevados — para pagar investidores antigos e manter a operação funcionando. Era uma dinâmica insustentável a longo prazo sem uma injeção real de capital, que nunca veio”, afirma Patzlaff. Após o Banco Central vetar a compra do Banco Master pelo BRB, o mercado passou a desconfiar (ainda mais) da situação do banco. Isso levou muitos investidores a tentar vender, no mercado secundário, seus CDBs do Master para evitar ficar “presos” ao título até o vencimento. Com a corrida por vendas, quase não havia compradores. Para atrair interessados, as taxas dos CDBs precisaram subir muito — chegando a 177% do CDI, ante os cerca de 120% praticados antes da crise. O banco já vinha pagando taxas muito altas para captar recursos, e decisões ruins sobre o uso desse dinheiro deixaram a instituição perto do calote e da falência. Quando os clientes tentaram se desfazer dos títulos, muitos não conseguiram vendê-los ou tiveram de aceitar descontos para encontrar compradores. Infográfico - Entenda a polêmica dos CDBs do Banco Master Arte/g1 Na mira das investigações Segundo a Polícia Federal, as investigações sobre o Banco Master começaram em 2024, a partir de uma requisição do Ministério Público Federal, para apurar a suposta fabricação de carteiras de crédito falsas por uma instituição financeira. 🔎 Esses títulos teriam sido repassados a outro banco e, após fiscalização do Banco Central do Brasil, substituídos por outros ativos sem a devida avaliação técnica. Nesta quarta-feira (4), o dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em São Paulo na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras, envolvendo a venda de títulos de crédito falsos e suspeitas de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e há ainda outros mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. No ano passado, durante audiência na CPI do Crime Organizado, no Senado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. A Justiça também determinou o bloqueio e sequestro de bens de até R$ 22 bilhões para impedir a movimentação de recursos ligados ao grupo investigado. Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado, quando tentava deixar o país em um voo particular. Na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira, a Polícia Federal investiga a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, atribuídos a uma organização criminosa. Desde o ano passado, a investigação também apura: O Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro. Ao comprar um CDB, o cliente empresta o dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Para reforçar essa impressão de liquidez, o Master aplicou parte desses R$ 50 bilhões em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno. O Master não pagou nada por essa compra, mas logo em seguida vendeu esses mesmos créditos ao BRB — que pagou R$ 12,2 bilhões, sem documentação, para "socorrer" o caixa do Banco Master. Essas transações aconteceram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o próprio Banco Master — e convencer os órgãos de fiscalização de que a transação era viável e não geraria risco aos acionistas do BRB, incluindo o governo do DF. Liquidação expôs limites do FGC Após a liquidação do Banco Master, a maioria dos clientes ficou protegida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Aplicações como CDB, RDB, LCI, LCA, poupança, depósitos à vista e letras de câmbio são garantidas até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo os rendimentos acumulados até a data da decretação da liquidação. A maior parte dos pagamentos já foi realizada, sobretudo para pessoas físicas. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deverá desembolsar cerca de R$ 51 bilhões para ressarcir clientes de Master, Will Bank e Banco Pleno, que entraram em liquidação desde novembro. Até agora, já foram pagos R$ 37,2 bilhões, beneficiando 653 mil credores do Master (84% do total). Com a forte redução do caixa — que antes superava R$ 140 bilhões —, o FGC estuda medidas para recompor recursos, como antecipar contribuições dos bancos, criar cobranças extras e negociar com o Banco Central o uso de parte do compulsório. 🔎 O g1 preparou uma série especial de reportagens que investiga as repercussões do caso do Banco Master e seus desdobramentos. A apuração analisa as causas da liquidação, o funcionamento e limites do FGC, bem como os efeitos que vão além das perdas imediatas. LEIA A SÉRIE ESPECIAL ‘O dinheiro está todo sequestrado’: o drama de clientes do Will Bank após a liquidação pelo BC ‘Prejuízo Master’: o que o colapso do banco mostrou sobre os limites da garantia do FGC Os casos ainda pendentes envolvem situações que exigem análise mais detalhada, como empresas, menores de idade e inventários, o que torna o processo mais lento. Já quem tinha valores acima do teto do FGC passou a integrar a lista de credores da massa falida e só poderá receber conforme a venda dos ativos do banco. Com a liquidação extrajudicial, todas as operações foram interrompidas imediatamente, a diretoria foi afastada e o Banco Central nomeou um liquidante para assumir o controle da instituição, organizar ativos e credores e apurar as causas da quebra. Saques, transferências e pagamentos originados no banco ficaram suspensos, enquanto parcelas de empréstimos e financiamentos devem continuar sendo pagas normalmente. Fundos de investimento não dependem do FGC, pois o patrimônio é separado do banco e apenas ocorre a troca de administrador. Fachada do Banco Master na cidade de Ssão Paulo em 18 de novembro de 2025. Werther Santana/Estadão Conteúdo
Ler matéria completaPIB cresce, mas brasileiro ainda aperta o cinto O Brasil fechou 2025 com o PIB em alta de 2,3%, desemprego no menor nível da história e renda média recorde. Ainda assim, o endividamento segue elevado — e o cartão de crédito continua concentrando uma boa parte das dívidas no país. Dados da Recovery, obtidos pelo g1 em primeira mão, mostram que ao menos 19 milhões de brasileiros tinham dívidas no cartão de crédito no ano passado. Isso porque o levantamento considera a base da empresa, que tem 34 milhões de brasileiros com dívidas administradas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Apesar de um leve recuo de 2% em relação a 2024, a modalidade continua, com ampla vantagem, no topo da lista das que mais concentram inadimplência no país. A dimensão do endividamento sob gestão da empresa ajuda a entender o cenário: ⏰ São mais de 80 milhões de débitos em atraso em 2025; 🤝 6 milhões de dívidas renegociadas e transformadas em acordos; 👤 Apenas 193 mil registros têm origem em empresas — a maior parte é de pessoas físicas. Além disso, a distribuição regional das dívidas também chama atenção: São Paulo: cerca de 4,4 milhões de endividados no cartão; Rio de Janeiro: aproximadamente 2,4 milhões; Bahia: cerca de 1,4 milhão. Outras modalidades de crédito também ficaram mais pressionadas. As dívidas ligadas a empréstimos e cheque especial cresceram cerca de 7% no ano passado, passando de 12,7 milhões para 13,5 milhões de registros. Nesse grupo, os maiores volumes estão no Sudeste: São Paulo: aproximadamente 3,8 milhões; Rio de Janeiro: 1,6 milhão; Minas Gerais: 1,2 milhão. Mulher checando informações do cartão de crédito Reprodução Freepik Inflação, juros e inadimplência O avanço da inadimplência ocorre em um ambiente de crédito mais caro. Em 2025, o Banco Central elevou a taxa básica de juros em 2,25 pontos percentuais, levando-a a 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas. Isso significa que tomar dinheiro emprestado ficou mais caro. O rotativo do cartão, os parcelamentos e os empréstimos passaram a pesar mais no orçamento, dificultando a reorganização das finanças de quem já estava com contas em atraso. 📈 A inflação oficial, medida pelo IPCA, fechou o ano em 4,26%, o melhor resultado desde 2018. Ainda assim, isso não significa queda de preços, mas apenas um ritmo menor de reajustes. Para muitas famílias, o orçamento continuou apertado. Como o g1 mostrou, o consumo das famílias cresceu apenas 1,3% em 2025, bem abaixo do avanço de 5,1% registrado em 2024. Mesmo com desemprego em mínima histórica e rendimento médio recorde, as compras passaram a depender quase exclusivamente da renda do trabalho, sem estímulos extras. LEIA TAMBÉM: 'O dinheiro aumenta, mas não dá para comprar nada': por que o brasileiro não sente a melhora da economia? PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, diz IBGE Nesse cenário, o cartão de crédito acaba funcionando como uma solução imediata para fechar as contas do mês — mas pode se transformar rapidamente em uma dívida de longo prazo, especialmente quando há atraso e incidência de juros elevados. Helena Passos, head de Dados e Planejamento na Recovery, ressalta que o momento exige cautela. “Para milhões de brasileiros endividados, 2026 será crucial para a reconstrução financeira", afirma. Segundo ela, o cenário demanda maior foco em educação financeira, uma abordagem consciente na renegociação de dívidas e a implementação de políticas que incentivem a retomada responsável do crédito, evitando, assim, a repetição do ciclo do superendividamento. A especialista também aponta uma mudança no perfil das renegociações, cada vez mais concentradas nos canais digitais. “Atualmente, 77% das negociações feitas na Recovery acontecem nesses canais, o que reforça o avanço da transformação digital no mercado de cobrança.”
Ler matéria completaPor 14 votos favoráveis e 10 contrários, a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou nesta terça-feira (3) o projeto que autoriza o Governo do Distrito Federal (GDF) a fazer um aporte no Banco de Brasília (BRB) para cobrir prejuízos relacionados às operações com o Banco Master. Encaminhado pelo governador Ibaneis Rocha, o texto autoriza o DF a capitalizar o banco e a contratar empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou com outras instituições financeiras. Notícias relacionadas: Técnicos da Câmara Legislativa recomendam rejeitar projeto sobre BRB. Governo do DF propõe dar imóveis como garantia para capitalizar BRB. Além disso, o projeto permite oferecer nove imóveis públicos para venda, transferência ao banco ou estruturação em fundo imobiliário. Os imóveis podem ainda servir como garantia nas operações de crédito, cobrindo eventuais inadimplências do BRB. Pressão e negociação A votação foi precedida de intensa articulação política. Na véspera, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, reuniu-se por quase 12 horas com deputados distritais. Em discurso, afirmou que, sem a aprovação do projeto, o banco poderia “deixar de existir” e interromper operações como pagamento de servidores, programas sociais, transporte público e linhas de crédito. O tema dividiu a Casa. Deputados da base governista defenderam a proposta como única alternativa para preservar o controle do banco pelo DF. “Não vamos deixar o BRB ir para o fundo do poço”, afirmou o líder do governo, Hermeto (MDB). Parlamentares de oposição classificaram o texto como um “cheque em branco”. A deputada Paula Belmonte (PSDB) exibiu uma réplica simbólica de um cheque durante a sessão, criticando a falta de laudos detalhados de avaliação dos imóveis. O deputado Chico Vigilante (PT) afirmou que a proposta permite a alienação de bens públicos sem comprovação adequada de interesse público e anunciou que a oposição estuda ingressar na Justiça para tentar barrar a futura lei. Um estudo técnico da Consultoria da própria CLDF havia recomendado a rejeição do projeto, por riscos jurídicos e fiscais. Entre os problemas, está a possível afronta à Lei de Responsabilidade Fiscal e impactos no orçamento do DF. A votação foi tensa, com funcionários do BRB ocupando as galerias do plenário e a entrada da Câmara Legislativa. Por diversos momentos, eles bateram boca com deputados da oposição, que acusaram os bancários de serem usados como massa de manobra pelo governador Ibaneis. Mudanças incluídas Durante a tramitação, deputados incluíram alterações no texto: Obrigação de relatórios trimestrais do BRB com detalhamento das operações; Previsão de reversão ao DF de valores excedentes ao necessário para recompor o capital do banco; Compensação, com imóveis equivalentes, à Companhia Energética de Brasília (CEB), à Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) e à Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), caso seus terrenos sejam utilizados; Destinação de 20% do valor arrecadado ao Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF), que poderá converter o montante em ações do banco; Criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) em modelo de condomínio fechado, com o DF como cotista inicial e o BRB responsável pela estruturação. Próximos passos O BRB pediu aos acionistas autorização para aporte de até R$ 8,86 bilhões, e uma assembleia está marcada para o dia 18 de março. A instituição pretende apresentar solução até 31 de março, quando divulgará o balanço de 2025. A votação em segundo turno deve ocorrer nos próximos dias.
Ler matéria completaA Caixa Econômica Federal anunciou um pacote de medidas para apoiar moradores e empresas afetados pelas enchentes na Zona da Mata mineira. As ações incluem a antecipação do Bolsa Família e condições facilitadas de crédito e renegociação para pessoas físicas e jurídicas nas cidades em situação de emergência. Bolsa Família antecipado Em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o banco vai liberar o pagamento do Bolsa Família já no primeiro dia do calendário do programa para todos os beneficiários dos municípios atingidos. Notícias relacionadas: Quatro municípios atingidos por chuvas receberão R$ 11,5 milhões. Sobe para 72 o número de mortos nas chuvas em Minas Gerais. Financiamentos a desabrigados em Minas seguirão modelo do RS, diz Lula. O valor estará disponível a partir de 18 de março, medida que também valerá para abril, garantindo continuidade da proteção social às famílias impactadas. Habitação: pausa e renegociação Clientes com financiamento habitacional poderão pedir: • Pausa de até seis meses nas prestações, pelo aplicativo Habitação Caixa; • Incorporação das parcelas vencidas ao saldo devedor, com diluição no prazo restante do contrato; • Manutenção das condições originais de juros e prazo. • Todos os contratos contam com seguro obrigatório de Danos Físicos ao Imóvel (DFI) e Morte ou Invalidez Permanente (MIP). Centrais de atendimento para Seguro Residencial • Caixa Seguradora 0800-274-1000, para contratações até 14/02/2021; • Caixa Residencial: 0800-722-4926 (assistência) e 0800-722-4923 (sinistros), para contratações a partir de 15/02/2021. Centrais de atendimento Seguro Obrigatório de morte e invalidez permanente do mutuário (MIP) e de danos físicos ao imóvel (DFI): • Caixa Seguradora: 0800-274-1000 e WhatsApp 0800-749-2020, contratações até 14/02/2021; • Caixa Residencial: 0800-722-4923 ou WhatsApp (11) 99506-9519, contratações a partir de 15/02/2021; • Too Seguros: 0800-775-9191, WhatsApp (11) 99400-3326, ou no site da seguradora; • American Life: 0800-949-8080 • Tokio Marine: 0800-318-6546 Medidas para pessoas físicas Penhor: • Dispensa automática de encargos por atraso na renovação por 90 dias; • Suspensão de leilão das garantias enquanto durar o decreto de emergência. Empréstimo pessoal e renegociação: • Pausa de até três parcelas. Consignado: • Possibilidade de ajuste de prazo e revisão de juros, conforme contrato. Cesta de serviços • Isenção de mensalidade por três meses, para quem não tiver outro benefício ativo. Condições para empresas Financiamentos e capital de giro: • Pausa de até três meses em contratos de investimento, capital de giro e microcrédito. Girocaixa Fácil: • Até 30 meses para amortização; • Prazo pode chegar a 60 meses, conforme garantia. Máquinas e equipamentos: • Até seis meses de carência; • Até 60 meses para pagamento. CDB Flex ou Progressivo para micro e pequenas empresas (MPE): • Flexibilização para resgate de aplicações, se não houver bloqueios. Crédito rural Pessoa física (produtor rural): • Prorrogação de vencimentos em caso de frustração de safra; • Possibilidade de novos contratos mesmo com prorrogações ativas. Pessoa jurídica (produtor rural): • Cooperativas e agroindústrias afetadas podem solicitar alongamento e prorrogação de prazo, mediante comprovação. Medidas para hospitais Santas Casas e hospitais filantrópicos ou não filantrópicos poderão solicitar: • Pausa de até 12 meses nas prestações; • Incorporação das parcelas ao final do contrato ou pagamento apenas de juros, conforme modalidade. Atendimento em Matias Barbosa Caminhão-agência da Caixa está em operação no município de Matias Barbosa; • Local: Praça Central Peter H. Birkeland; • Horário: 10h às 16h. Canais de atendimento • Alô CAIXA: 4004-0104 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-104-0104 (demais regiões); • Aplicativos: Caixa Tem, Habitação Caixa e FGTS; • Internet Banking pelo site oficial da Caixa. As medidas valem para municípios da Zona da Mata mineira com decreto de situação de emergência reconhecido.
Ler matéria completaO setor de máquinas e equipamentos iniciou 2026 em desaceleração, após encerrar o ano passado com um crescimento moderado. Essa redução no ritmo de crescimento se deve principalmente à política monetária, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Em janeiro deste ano, a receita líquida total do setor somou R$ 17,3 bilhões, o que representou queda de 17% na comparação com janeiro de 2025 e de 19,3% em comparação a dezembro. Segundo a Abimaq, isso foi resultado de um recuo tanto nas vendas para o mercado doméstico quanto no mercado externo. Notícias relacionadas: Governo derruba alta de imposto para smartphones e eletrônicos. Confiança da indústria recua pelo 14º mês consecutivo. No mercado doméstico, a queda foi de 19% devido a um “reflexo da política monetária contracionista”, o que provocou, segundo a entidade, inibição dos investimentos, encarecimento do custo de vida, comprometimento de renda e aumento da inadimplência. Já no mercado externo, a influência negativa foi em decorrência da valorização de 11% do real frente ao dólar. As exportações de máquinas e equipamentos somaram US$ 838 milhões em janeiro, com queda de 41,5% em relação a dezembro, mas crescimento de 3,1% em relação a janeiro de 2025. De acordo com a associação, a retração na comparação mensal se deve a fatores sazonais e também à base elevada de comparação, já que dezembro de 2025 apresentou o segundo maior valor da série histórica. As importações, por sua vez, tiveram queda em janeiro, somando US$ 2,48 bilhões. No entanto, ressalta a Abimaq, elas seguem em patamares elevados, o que vem ocorrendo pelo menos desde 2015 e se intensificou com a pandemia da covid-19, “quando a substituição da produção nacional por bens importados ganhou força”. De acordo com a entidade, o volume de importações demonstra que o país vem transferindo parcela relevante do dinamismo industrial para o exterior, principalmente para a China, responsável por mais de 32% das máquinas importadas pelo Brasil. Exportações para os Estados Unidos O setor de máquinas foi um dos mais prejudicados pela aplicação de tarifas de 50% pelo governo dos Estados Unidos, principal destino desses produtos no exterior. Apesar disso, o impacto acabou sendo menor do que o setor previa inicialmente. “A medida que foi tomada pelo governo Trump impactou bem menos do que a gente previa no início. A gente achava que ia impactar brutalmente as vendas para aquele mercado, mas diversas empresas conseguiram se organizar, se estruturar e preservar aquele mercado, que é bastante importante”, avalia o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão Bastos. Em entrevista concedida na tarde desta terça-feira (3), na capital paulista, ele disse esperar que as exportações voltem a ganhar força após a decisão da Suprema Corte ter derrubado as tarifas sobre produtos importados que haviam sido impostas globalmente pelo presidente Donald Trump. Mas, por enquanto, ele diz que o setor está cauteloso. “Com relação ao futuro e com a reversão da medida, a gente espera conseguir reconquistar uma parte do mercado que foi perdido”, falou. “Mas há outros instrumentos que ele [Trump] pode utilizar e aí elevar a tarifa especificamente para o Brasil a outro patamar, além dos 10%. Então a gente tem conversado com as empresas do setor para ter cautela”, frisou. Emprego Em janeiro, o setor apresentou melhora no número de pessoas empregadas, somando 418,9 mil colaboradores. Na comparação com janeiro de 2025, isso representou um acréscimo de 18 mil pessoas. Apesar disso, a Abimaq pondera que esse número é 2% inferior a outubro do ano passado, quando 422,7 mil pessoas estavam empregadas no setor. Perspectivas Para este ano de 2026, a associação projeta um crescimento de 3,5% na produção física de máquinas e equipamentos e de cerca de 4% na receita líquida. Para a Abimaq, esse avanço será sustentado pelo mercado doméstico, com a expectativa de expansão da demanda próxima de 5,6%. “A gente está achando que, em 2026, vamos ter uma retração nas vendas em relação a 2025. De quanto vai ser ainda está muito cedo para a gente falar, mas talvez alguma coisa em torno de 5% seja bastante razoável”, disse Bastos. Segundo ele, essas previsões ainda não levam em consideração fatores externos como o recente conflito no Oriente Médio.
Ler matéria completaConsumo das famílias ficou estagnado no 4º trimestre de 2025, segundo o IBGE Getty Images via BBC A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, abaixo da alta de 3,4% registrada em 2024, informou informou nesta terça-feira (3) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este foi o mais baixo crescimento registrado pela economia brasileira desde a queda de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) ocorrida em 2020, sob impacto da pandemia de covid-19. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O resultado, no entanto, veio em linha com a expectativa do mercado, que já previa uma desaceleração da economia no ano passado, diante dos efeitos dos juros elevados. Com a Selic (taxa básica de juros da economia brasileira) em 15% desde junho de 2025, fica mais caro para empresas e famílias emprestarem dinheiro, o que funciona como um "freio" para a atividade econômica – por isso a taxa de juros é o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação. Para 2026, os analistas preveem uma nova desaceleração da atividade econômica, projetando uma alta de apenas 1,8% para o PIB em pleno ano de eleições presidenciais, segundo a mediana de projeções colhidas pelo jornal Valor Econômico. A guerra no Irã adiciona incerteza neste cenário, com a alta nos preços do petróleo podendo impactar a inflação e manter os juros altos por aqui durante mais tempo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como a guerra no Irã pode impactar o PIB em 2026 "O conflito entre Estados Unidos e Irã representa um risco adicional ao crescimento econômico, principalmente se a guerra se estender por um período muito prolongado", avalia Peterson Rizzo, gerente de relações institucionais da gestora de crédito Multiplike. Se isso acontecer, a principal influência ocorre por meio da alta do petróleo, que encarece combustíveis, energia e transporte, pressionando a inflação, diz o analista. Navio ancorado na costa dos Emirados Árabes Unidos devido a interrupções na navegação no Estreito de Ormuz, em Dubai, em 2 de março Getty Images via BBC Com a inflação mais elevada, o Banco Central tende a manter os juros altos por mais tempo, dificultando a retomada da atividade econômica. "Juros elevados reduzem o acesso ao crédito, afetando negativamente o consumo das famílias. Além disso, a maior incerteza internacional tende a desestimular investimentos produtivos", diz Rizzo. "Assim, embora o Brasil possa se beneficiar parcialmente como exportador de petróleo, os efeitos inflacionários e financeiros do conflito tendem a limitar o crescimento do PIB no curto e médio prazo." Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, tem avaliação similar. "A escalada do conflito entre EUA e Irã pode influenciar o PIB indiretamente, sobretudo se provocar alta persistente do petróleo e pressionar a inflação, o que tende a manter os juros elevados por mais tempo", diz Lima. "Assim, embora o dado do PIB mostre resiliência, o ambiente geopolítico adiciona um vetor de risco que pode limitar o ritmo de crescimento ao longo de 2026." PIB cresce, mas brasileiro ainda aperta o cinto Consumo das famílias estagnado no 4º tri No quarto trimestre, o PIB brasileiro cresceu apenas 0,1% em relação ao trimestre imediatamente anterior, também em linha com a expectativa do mercado. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, a alta foi de 1,8%. O crescimento modesto na margem foi puxado pelo setor de serviços (0,8%) e pela agropecuária (0,5%), enquanto a indústria registrou queda de 0,7%, sempre na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Na ponta da demanda, o consumo do governo teve alta de 1% e o das famílias se manteve estável (0%), enquanto o investimento registrou uma forte queda de 3,5%. Na área externa, as exportações cresceram 3,7%, enquanto as importações caíram 1,8%. Exportações cresceram 3,7% e importações caíram 1,8% no 4º tri, em relação ao trimestre anterior, o que contribuiu positivamente para o PIB do período Bloomberg via Getty Images Matheus Pizzani, economista da PicPay, avalia que o elevado endividamento de famílias e empresas explica a forte queda do investimento e a estagnação do consumo das famílias no fim do ano passado. Isso inibiu os efeitos positivos do mercado de trabalho dinâmico e da renda em expansão, beneficiada ainda pela queda da inflação ao longo do ano, avalia. Segundo Pazzini, o resultado só foi ligeiramente positivo no trimestre graças à contribuição do setor externo, com a balança comercial favorável (isto é, com exportações superando importações) contribuindo para o crescimento no período. Em 2025, safra recorde e consumo contido No ano de 2025 como um todo, a desaceleração do PIB foi puxada tanto pela indústria (alta de 1,4%, ante 3,1% em 2024) quanto pelos serviços (alta de 1,8%, ante 3,8% em 2024). Já na agropecuária, houve crescimento de 11,7% em 2025 (ante queda de 3,7% em 2024), reflexo da safra recorde no ano passado. Na ponta da demanda, o consumo das famílias desacelerou para alta de 1,3% (ante 5,1% em 2024), enquanto o investimento cresceu 2,9%, após recuar 6,9% no ano anterior e o consumo do governo avançou 2,1% (quase igual à alta de 2% de 2024). Já o setor externo teve contribuição positiva no ano, com exportações em alta de 6,2%, superando o avanço das importações (4,5%), apesar das tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil a partir de julho. Em 2024, as importações haviam crescido fortes 15,6%, superando em muito a alta das vendas externas (2,8%), o que é negativo para o crescimento, pois nesse cenário parte maior da demanda interna é atendida por produtos importados.
Ler matéria completaEntenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar disparou nesta terça-feira (3), conforme investidores seguiam atentos à escalada da guerra no Oriente Médio. A moeda fechou com alta de 1,91% na sessão, cotada a R$ 5,2645. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,3428. As preocupações com o cenário geopolítico também se refletiam no Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira. O índice, que chegou a cair quase 5% no início da tarde, mas reduziu as perdas e fechou com queda de 3,46%, aos 182.763 pontos, acompanhando a queda generalizada dos mercados globais. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Pela manhã, Israel e Irã trocaram novos bombardeios, e explosões foram ouvidas em diversos países do Oriente Médio. O número de mortos no Irã subiu para 787. Já durante a tarde, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que "praticamente tudo" foi destruído no Irã e anunciou que uma nova onda de ataques ocorrerá "em breve". ▶️ Além disso, na véspera, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçou incendiar qualquer navio que tente atravessar a rota. A notícia fez disparar os preços do petróleo e aumentou o receio de investidores com aplicações mais arriscadas. Nesta terça, os preços do petróleo seguem em trajetória de alta. O barril Brent 4,71% cotado a US$ 81,40. No início de 2026, custava US$ 60. Os investidores temem que a guerra cause prejuízos na economia e elevação dos preços da energia, causando inflação e segurando os juros mais altos ao longo do ano. O movimento adotado é de vender ações e buscar proteção em ativos mais seguros, como o dólar. "Nesse cenário, bolsas de outros países e também a brasileira registram perdas. No Brasil, os efeitos atingem principalmente ações de bancos, e investidores estrangeiros estão retirando dinheiro do mercado", afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. "O pano de fundo é um mercado que passa a se preparar para um conflito mais longo, riscos fiscais crescentes e potencial instabilidade regional mais ampla, aumentando a volatilidade e reduzindo o apetite por investimentos mais arriscados." ▶️Em meio à tensão no Oriente Médio, falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) também ficaram no radar, conforme investidores seguem atentos a sinais da instituição sobre quais os próximos passos na condução dos juros, em meio aos eventuais impactos da alta do petróleo nos preços. ▶️ No Brasil, o destaque fica por conta da divulgação do PIB de 2025, divulgado pelo IBGE. A economia brasileira cresceu 2,3% no ano passado, menor alta em cinco anos. O dado também representa uma desaceleração em comparação a 2024, quando o Brasil cresceu 3,4%. ▶️ Também nesta terça foram divulgados os dados de criação de empregos formais no Brasil em janeiro, pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). De acordo com o ministério do Trabalho e Emprego, o país abriu 112.334 vagas formais de trabalho no início do ano. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,62%; Acumulado do mês: +0,62%; Acumulado do ano: -5,88%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +0,28%; Acumulado do mês: +0,28%; Acumulado do ano: +17,49%. Petróleo em disparada Os preços do petróleo continuam em forte alta nos mercados internacionais depois que o Irã declarou o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçou atacar qualquer navio que tentasse cruzar a rota. No meio da tarde, o barril do petróleo tipo Brent subia mais de 5%, cotado acima de US$ 82. A região é estratégica para o comércio global de energia, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, o que aumentou o temor de desabastecimento e disparou os preços da commodity. A alta já vinha sendo impulsionada pela intensificação da guerra no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que também atingiram instalações do setor de energia. Com isso, países da região interromperam preventivamente a produção de petróleo e gás, como Catar, Arábia Saudita e Israel, agravando as preocupações com a oferta global. Além do petróleo, o fornecimento de gás natural também foi afetado, reforçando a pressão sobre os preços da energia. O avanço do conflito elevou a percepção de risco nos mercados financeiros, que passaram a monitorar possíveis impactos sobre a inflação e o crescimento econômico mundial. 🛢️ A forte alta do petróleo beneficia as empresas do setor porque elas vendem a commodity a preços internacionais. Quando o barril sobe, a receita dessas companhias tende a aumentar, o que melhora a perspectiva de lucro e impulsiona suas ações na bolsa. Nem mesmo a disparada do petróleo tem conseguido sustentar as ações do setor. Apesar da forte alta da commodity, os papéis da Petrobras — que subiram mais de 4% na véspera — avançam pouco nesta terça-feira, figurando entre as poucas altas da bolsa brasileira. “É um momento de grande cautela. O cenário internacional concentra muitos riscos e, sobretudo, falta clareza sobre os próximos passos do conflito. O investidor prefere ambientes mais previsíveis, e hoje o mercado opera sob forte incerteza”, afirma Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing. PIB brasileiro O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, segundo o IBGE, desacelerando frente aos 3,4% de 2024 e registrando o menor avanço em cinco anos. Ainda assim, foi o quinto ano seguido de crescimento da economia. No quarto trimestre, a alta foi de apenas 0,1%, indicando estagnação no fim do ano. O principal motor do crescimento foi a agropecuária, que avançou 11,7%, impulsionada por safras recordes de milho e soja. O setor de serviços cresceu 1,8%, mesmo com juros elevados, enquanto a indústria teve alta modesta de 1,4%, sustentada pelas indústrias extrativas (óleo e gás). Pelo lado da demanda, o consumo das famílias subiu 1,3%, desacelerando em relação a 2024 por causa dos juros altos e do endividamento. Os investimentos do governo cresceram 2,9%, apoiados pela importação de bens de capital e pela construção. Exportações avançaram 6,2%, e importações, 4,5%. 💰 Embora a economia brasileira tenha começado o ano em ritmo mais forte, para muitos brasileiros, a sensação foi de que o dinheiro continuou curto no final do mês. Entenda por que o brasileiro não percebe a melhora da economia. Mercados globais Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam no vermelho nesta terça-feira, conforme investidores seguem preocupados com o conflito no Oriente Médio e seus potenciais efeitos na economia global. No fechamento, o S&P 500 perdeu 0,94%, para 6.816,59 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuou 1,00%, para 22.521,24 pontos. O Dow Jones caiu 0,82%, para 48.505,21 pontos. Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 caiu 3,08%, aos 604,44 pontos, no nível mais baixo em um mês. O movimento de queda foi generalizado entre as principais bolsas da região e também refletiu os temores do mercado acerca da guerra no Irã. A preocupação é que o conflito prolongado encareça combustíveis, transporte e produtos em geral, prejudicando a economia. Entre os destaques, o índice FTSE 100, de Londres, caiu 2,75%, enquanto o DAX, de Frankfurt, recuou 3,44% e o CAC-40, de Paris, teve queda de 3,46%. As bolsas da Ásia também fecharam em queda nesta terça-feira. Na China, o índice de Xangai recuou 1,43%, aos 4.122 pontos, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,54%, para 4.655 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,12% e terminou o dia em 25.768 pontos. No Japão, o Nikkei despencou 3,1%, aos 56.279 pontos, e na Coreia do Sul o Kospi teve queda acentuada de 7,24%, fechando em 5.791 pontos. Em Taiwan, o Taiex recuou 2,20%, para 34.323 pontos, enquanto na Austrália o S&P/ASX 200 caiu 1,34%, aos 9.077 pontos. A única exceção foi Cingapura, onde o Straits Times subiu 0,53%, para 4.916 pontos. Painel eletrônico mostra as recentes flutuações de ações na B3 em 28 de outubro de 2021 REUTERS/Amanda Perobelli
Ler matéria completaPIB cresce, mas brasileiro ainda aperta o cinto O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil fechou 2025 em alta de 2,3%, no quinto ano consecutivo de crescimento. Ainda assim, para muitos brasileiros, a sensação foi de que o dinheiro continuou curto no final do mês. A diretora de escola Cibelle conta que, embora a renda familiar tenha permanecido estável no ano passado, foi preciso controlar cada gasto para não comprometer o orçamento. “As contas ficaram mais pesadas, principalmente no supermercado.” 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Para equilibrar as contas, ela reduziu as idas a restaurantes e os gastos com lazer, diminuiu o uso do cartão de crédito e recorreu a reservas antigas. “Eu usei o que tinha guardado, um dinheiro que juntei em 2020. Acabei usando grande parte para o consumo do dia a dia”, conta. A aposentada Maria Madalena diz que também precisou fazer escolhas. Trocou a carne bovina por frango, passou a comprar queijos e laticínios mais baratos e usou parcelamento no cartão para fazer a renda durar até o fim do mês. Sua descrição não poderia ser mais direta: a sensação constante é de perda de poder de compra. “A questão é a desvalorização. O dinheiro aumenta, mas não dá para comprar nada.” Especialistas ouvidos pelo g1 contam que, embora a economia brasileira tenha começado o ano em ritmo mais forte, acabou perdendo fôlego ao longo dos meses e terminou o quarto trimestre praticamente estagnada. Evolução do PIB brasileiro ano a ano, até 2025 Arte/g1 Os números divulgados nesta terça-feira (3) pelo IBGE mostram que o principal sinal dessa desaceleração se mostra no consumo das famílias. Esse é o componente que mais pesa no PIB e representa mais de 60% da atividade econômica pelo lado da demanda. O consumo das famílias não chegou a cair, teve alta de 1,3%, mas cresceu em ritmo bem menor do que no ano anterior, quando havia avançado 5,1%. Na comparação com o trimestre anterior, ficou zerado. Para a economista Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do FGV Ibre, o dado mostra um descompasso entre renda e gastos. Além da atividade econômica ainda em crescimento, o país registrou a menor taxa de desemprego da história em 2025, de apenas 5,6% na média anual. O rendimento real também foi recorde, de R$ 3.560. O diagnóstico é que a economia continuou avançando, mas em ritmo mais lento. E as compras passaram a depender quase exclusivamente da renda do trabalho. “Em anos anteriores, houve liberações de recursos extraordinários, como saques do FGTS,, que ajudaram a estimular as compras. Quase não tivemos esse tipo de impulso em 2025.” Análise do PIB sob a ótica da oferta no 4º trimestre de 2025 Arte/g1 Nesse cenário, a inflação se tornou um desafio ainda maior para os brasileiros. Para a economista Silvia Matos, coordenadora do boletim Macro do FGV Ibre, a alta de preços foi menor no ano passado, mas continuou a corroer o poder de compra e limitou o consumo, especialmente entre as famílias de menor renda. “Depois de um crescimento acima da nossa capacidade em 2024, já era esperado um período de desaceleração. Foram resultados muito favoráveis, mas também enfrentamos efeitos colaterais, como a inflação”, explica. 📊 Em 2025, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — que mede a inflação oficial do país — fechou em 4,26%. Foi o melhor resultado desde 2018, mas isso significa apenas que os preços subiram mais lentamente, e não que tenham caído. 📈 Para manter a alta de preços sob controle, o Banco Central elevou a taxa básica de juros em 2,25 pontos percentuais ao longo do ano. Com isso, ela chegou a 15% no fim de 2025, o maior patamar em quase duas décadas. Segundo Silvia, esses dois fatores funcionaram como um “freio” na economia, afetando principalmente a compra de bens duráveis — como carros e eletrodomésticos — e outros setores que dependem de crédito para financiar suas atividades. Itens essenciais continuam caros Enquanto o desemprego caía e a renda aumentava, a inflação apertou o orçamento, atingindo com mais força os mais pobres. Para essas famílias, o aumento de preços de itens básicos — como alimentos no supermercado, conta de luz e gastos com saúde — pesa de forma mais intensa do que para quem tem mais recursos. A auxiliar de limpeza Edivânia sente a pressão nas despesas mais básicas. As contas de luz e água ficaram mais difíceis de pagar, exigindo cortes constantes no orçamento familiar. Sem margem para imprevistos, ela evita correr o risco de se endividar. “Não tenho cartão no momento e nem tenho como ter agora.” Entre os aposentados, a sensação foi de estagnação. Sebastiana diz que o dinheiro simplesmente não rendeu. “Recebo a aposentadoria, pago o que devo e fico esperando a próxima.” Supermercado e farmácia foram os gastos que mais complicaram seu orçamento — especialmente os remédios, que, segundo ela, pesam cada vez mais. Em outras faixas de renda, o aperto aparece de forma menos imediata, mas igualmente persistente — e também envolve gastos com saúde. O psicólogo Mauro consegiu manter a renda estável, mas viu crescerem as despesas com plano de saúde e procedimentos não cobertos pelas operadoras. O ajuste veio por meio de cortes. “Reduzi o consumo de itens não prioritários e deixei de viajar. Passei a controlar mais os gastos.” Peso dos juros e do endividamento O aumento do endividamento também contribuiu para limitar o consumo das famílias em 2025. Dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) indicam que, em dezembro, 73,5 milhões de consumidores estavam negativados, o equivalente a quase 45% da população adulta do país. O cartão de crédito continua sendo um dos principais vilões do endividamento. O procurador do Estado Jayme Asfora classifica as taxas como “escorchantes” e abusivas. Para se proteger, ele chegou a quebrar os cartões e abriu mão de viagens com as filhas diante dos altos custos. “Os juros já estão altos, mas os do cartão de crédito são ainda maiores. É absurdo não haver uma intervenção estatal mais efetiva sobre isso.” Mesmo quem teve aumento de renda manteve cautela. O assistente de e-commerce David passou a planejar cada compra antes de gastar. “Você precisa viver de forma controlada, sem excessos, mantendo uma vida estável, porque senão não dá. A gente passou a planejar mais”, afirma. Ele diz que deixou de viajar e passou a usar o cartão com mais cuidado para evitar novas dívidas. A médica Lara Lobo descreve impacto semelhante. Com aumentos no aluguel, na energia e no supermercado, precisou apertar o orçamento e priorizar a poupança. “Eu sinto que o poder de compra diminuiu. Não deixei de comprar porque tenho as finanças organizadas, mas percebo que muitos brasileiros continuam consumindo e enfrentam mais dificuldade até para coisas básicas.” Crescimento para quem? Lojistas oferecem descontos para pagamentos no Pix, em dinheiro ou no débito, que costumam sair mais baratos do que no crédito. Giaccomo Voccio/g1 O crescimento da economia não tem sido homogêneo entre setores e grupos sociais. Parte do baixo desemprego, segundo Silvia Matos, está ligada ao envelhecimento da população, que reduz a oferta de mão de obra. Além disso, a expansão do trabalho por aplicativos ajudou a manter a ocupação elevada. “O resultado é um mercado de trabalho que parece aquecido nas estatísticas, mas com realidades muito diferentes na prática”, aponta a economista. Setores como tecnologia e finanças contrataram mais, enquanto áreas mais dependentes de crédito, como a construção civil e parte da indústria, enfrentaram maiores dificuldades. Esse é mais um descompasso que ajuda a explicar o “enigma” apontado pelos economistas: indicadores macroeconômicos positivos convivendo com sensação de aperto no cotidiano. Embora o consumo tenha esfriado, a economia encontrou apoio em outros setores. A agropecuária, por exemplo, avançou mais de 10% em 2025. Apesar de ter peso menor no PIB, o setor contribuiu para o crescimento quase tanto quanto os serviços. “Foi um crescimento muito voltado para exportações”, explica Juliana Trece. Segundo a economista, a força do campo compensou parte da perda de dinamismo em áreas mais dependentes do mercado interno. “As exportações avançaram mais de 5%, impulsionadas principalmente por produtos agropecuários e petróleo”, ressalta. 🔎 Esses segmentos são menos sensíveis aos juros elevados. “O efeito da política monetária não é igual para todos os setores. A indústria e a construção sofrem mais porque dependem de crédito. Já a agropecuária depende mais do clima e da demanda externa”, explica Silvia Matos. Apesar do resultado positivo, o crescimento da economia brasileira teve bases frágeis. Os investimentos, por exemplo, avançaram no ano, mas boa parte desse aumento foi impulsionada pela importação de plataformas de petróleo — uma compra pontual que eleva as estatísticas de momento. “Isso não significa que as empresas, de forma geral, estejam ampliando fábricas, comprando máquinas ou aumentando sua capacidade de produção”, acrescenta Silvia. Além disso, a economia ficou “menos eficiente”. A produtividade — que mede quanto o país produz com os recursos disponíveis — caiu em relação ao ano anterior e segue abaixo do nível recorde registrado em 2013. Menos impulso e mais incertezas no horizonte Depois de um ano impulsionado principalmente pelas exportações e por um mercado de trabalho ainda resistente, 2026 deve marcar desaceleração. A expectativa é de crescimento semelhante ao de 2025 — ou até um pouco menor. Para Juliana Trece, a principal mudança está no campo. A agropecuária, que teve desempenho excepcional e ajudou a sustentar o PIB no ano passado, não deve repetir o mesmo ritmo. “Em 2025, o campo teve peso relevante no crescimento. Em 2026, essa contribuição tende a ser menor”, afirma. Se isso se confirmar, o avanço das exportações também deve perder fôlego. Por outro lado, Juliana vê algum estímulo vindo do mercado interno. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil pode aumentar a renda disponível de parte das famílias. Além disso, anos eleitorais costumam trazer mais gastos públicos, o que ajuda a movimentar a economia no curto prazo. Silvia Matos, no entanto, adota tom mais cauteloso. Para ela, o ambiente eleitoral amplia as incertezas sobre o rumo das contas públicas e pode levar empresários a adiar investimentos. “O ano de eleição traz dúvidas, e isso costuma adiar decisões”, resume. Além disso, mesmo que o Banco Central comece a reduzir os juros, o efeito não é imediato. “Leva tempo até que a queda dos juros chegue ao crédito, reduza o custo dos financiamentos e estimule novos projetos”, destaca Silvia. Consumidores e pedestres circulam pelo Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. Giaccomo Voccio/g1
Ler matéria completaPIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, diz IBGE O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3). Em valores correntes, a economia brasileira totalizou R$ 12,7 trilhões no ano. O resultado representa uma desaceleração em comparação a 2024, quando o Brasil cresceu 3,4%, e é o menor número em cinco anos. Ainda assim, o número marca o quinto ano seguido de crescimento da economia brasileira. No quarto trimestre de 2025, o PIB cresceu 0,1% em relação aos três meses anteriores, mantendo-se praticamente estável. O principal destaque ficou com a agropecuária, que registrou um crescimento de 11,7% em 2025 — resultado dos aumentos na produção e dos ganhos na produtividade de várias culturas, com destaque para o milho (23,6%) e a soja (14,6%), que alcançaram recordes no ano. "Só a agropecuária responde por 33% de todo o crescimento da economia do ano passado. Tivemos um recorde nas safra de soja e milho, que pesam 45% da lavoura e também vimos uma safra muito alta de laranja", afirmou Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais do IBGE. Evolução do PIB brasileiro ano a ano, até 2025 Arte/g1 O setor de serviços, por sua vez, apresentou um avanço de 1,8% no ano e registrou um crescimento de todas as atividades em 2025 — mesmo com o alto nível de juros. Entre os destaques, estavam informação e comunicação (6,5%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,9%) e transporte, armazenagem e correio (2,1%). A indústria teve um crescimento de 1,4% no ano, apoiada pelas Indústrias Extrativas, que registraram um avanço de 8,6% no período com o impulso da extração de óleo e gás. O segmento de construção (0,5%) também contribuiu para o avanço do setor, enquanto eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,4%) e as indústrias de transformação (-0,2%) tiveram variações negativas. "A indústria extrativa veio em segundo lugar na contribuição para o valor adicionado do PIB, respondendo por 15,3% do crescimento. Apesar de todas as atividades serem influenciadas pela política monetária restritiva, essas duas atividades sofrem menos com isso e são mais exportadoras", diz Palis. 🔎 Valor adicionado é a riqueza efetivamente gerada na economia. É calculado pela diferença entre o valor do que foi produzido no país e o custo dos insumos utilizados na produção. Míriam Leitão analisa os números do PIB de 2025 Principais destaques do PIB em 2025: Serviços: 1,8% Indústria: 1,4% Agropecuária: 11,7% Consumo das famílias: 1,3% Consumo do governo: 2,1% Investimentos: 2,9% Exportações: 6,2% Importação: 4,5% Brasil prevê produção recorde de grãos, mas 40% da colheita não têm onde ser estocados A Companhia Nacional de Abastecimento aumentou a previsão da safra de soja, milho e arroz deste ano para 345 milhões de toneladas. Se isso se confirmar, vai ser a maior produção brasileira de grãos na história. LEIA MAIS Agropecuária cresce 11,7% e puxa crescimento da economia em 2025 'O dinheiro aumenta, mas não dá para comprar nada': por que o brasileiro não sente a melhora da economia? Consumo das famílias desacelera no ano Pela ótica da demanda, o consumo das famílias registrou um crescimento de 1,3%. O resultado positivo, segundo o IBGE, foi reflexo da melhora do mercado de trabalho no ano — com crescimento da massa salarial real —, do aumento do crédito e dos programas de transferência de renda do governo. Mesmo assim, o número ainda representa uma desaceleração em comparação a 2024, quando cresceu 5,1%. Essa desaceleração era esperada pelo mercado por conta dos altos níveis da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano, e pelo alto endividamento das famílias. "A política monetária restritiva e o alto endividamento das famílias, que bateu recorde no ano passado, têm puxado um pouco o consumo para baixo", afirmou Palis, destacando que o alto patamar dos juros foi o "vilão" do PIB no ano passado. Já o volume de investimentos feitos no país — chamados pelo IBGE de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) — cresceu 2,9% em 2025, impulsionado pelo aumento na importação de bens de capital, pelo desempenho de software e pelo bom desempenho na indústria de construção. "Essas contribuições positivas compensaram a queda na produção interna de bens de capital", informou o IBGE em nota. A taxa de investimento em 2025 foi de 16,8%, em uma leve desaceleração em comparação ao ano anterior (16,9%). Já a taxa de poupança acelerou de 14,1% para 14,4% na mesma relação. PIB cresce 0,1% no quarto trimestre Nos últimos três meses de 2025, a atividade econômica brasileira registrou um crescimento de 0,1% em comparação ao terceiro trimestre, mantendo-se praticamente estável. Variação trimestral do PIB brasileiro no quarto trimestre de 2025 Arte/g1 Nessa relação, as atividades de serviços e agropecuária cresceram 0,8% e 0,5%, respectivamente, enquanto a indústria apresentou um recuo de 0,7%. Entre as variações positivas no setor de serviços, o destaque ficou com atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, com um avanço de 3,3%. Informação e comunicação (1,5%), outras atividades de serviços (0,7%) e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,4%) também tiveram resultados positivos. Já entre as atividades industriais, o resultado negativo foi puxado principalmente pela queda na construção (2,3%) e nas indústrias de transformação (-0,6%). Pela ótica da despesa, o consumo do governo cresceu 1% e o consumo das famílias ficou estável. Os investimentos, por sua vez, caíram 3,5% no período. Análise do PIB sob a ótica da oferta no 4º trimestre de 2025 Arte/g1 Análise do PIB sob a ótica da demanda no 4º trimestre de 2025 Arte/g1
Ler matéria completaFoto ilustrativa mostra logotipos da Paramount e da Warner Bros Reuters A fusão entre a Paramount Skydance e a Warner Bros Discovery criará uma empresa combinada com uma dívida de cerca de US$ 79 bilhões (R$ 410,8 bilhões), informou a Paramount nesta segunda-feira (2), descartando qualquer plano de venda ou separação de seus canais de TV por assinatura. As empresas irão unificar seus serviços de streaming — incluindo Paramount+ e HBO Max — em uma única plataforma, afirmou o presidente-executivo da Paramount, David Ellison, em teleconferência com analistas. Juntas, as empresas atendem mais de 200 milhões de assinantes diretos ao consumidor em mais de 100 regiões, disse Ellison, o que lhes confere escala e poder de fogo para competir melhor em um mercado dominado pela Netflix. A Paramount assinou o acordo de US$ 110 bilhões (R$ 572 bilhões), ou US$ 31 (R$ 161,20) por ação, para adquirir a Warner Bros na manhã de sexta-feira (27), depois que a Netflix se recusou a aumentar sua oferta. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 A aquisição deverá gerar uma economia de mais de US$ 6 bilhões (R$ 31,2 bilhões) em custos, com grande parte desse valor vindo de “fontes não relacionadas à mão de obra”, por meio da combinação das plataformas de tecnologia de streaming e dos provedores de nuvem das empresas, entre outros, afirmou Andy Gordon, chefe de estratégia da Paramount. A meta de economia é muito superior à de sinergia prometida pela Netflix, de até US$ 3 bilhões (R$ 15,6 bilhões), e gerou temores de demissões em massa e redução na produção de filmes e programas de TV pela empresa combinada. A fusão também unirá a CBS, a MTV, a Comedy Central e a BET, da Paramount, às redes da Warner, incluindo CNN, TNT e Food Network. "Ao combinarmos nossos negócios lineares, esperamos impulsionar o fluxo de caixa, aumentar a eficiência e ajudar a gerenciar as pressões do mercado", disse Ellison. A empresa resultante da fusão terá um dos maiores acervos de propriedade intelectual comercialmente comprovada do setor, reunindo franquias como “Game of Thrones”, “Missão Impossível”, “Harry Potter”, “Top Gun”, o Universo DC e “Bob Esponja”. "A HBO é uma joia da coroa neste setor... e continuará a ter os recursos e a independência para fazer o que faz de melhor", disse Ellison. O acordo com a Paramount é garantido por US$ 54 bilhões (R$ 280,8 bilhões) em compromissos de dívida do Bank of America, Citigroup e Apollo. Isso inclui US$ 39 bilhões em novas dívidas e US$ 15 bilhões (R$ 78 bilhões) para refinanciar a linha de crédito‑ponte existente da Warner Bros, disse Gordon. A Warner Bros Discovery tinha dívida líquida de US$ 29 bilhões (R$ 150,8 bilhões), enquanto a Paramount registrava US$ 10,36 bilhões (R$ 53,9 bilhões) no final do ano passado. Disputa A disputa pelos estúdios e ativos de streaming da Warner Bros se intensificou ao longo de meses, com Paramount e Netflix trocando propostas rivais de aquisição. A Netflix saiu na frente, fechando um acordo no início de dezembro para comprar esses ativos — excluindo as redes de TV a cabo — por US$ 27,75 por ação, ou US$ 82,7 bilhões. Após o conselho da Warner considerar a proposta da Paramount superior, a Netflix desistiu da disputa pelos ativos, incluindo DC Comics, HBO e HBO Max. O acordo entre a Paramount e a Warner Bros também eliminaria as dúvidas sobre o valor e o risco da cisão das redes de TV a cabo que os acionistas da Warner manteriam sob a proposta da Netflix, reduzindo uma das principais variáveis que alimentavam as incertezas em torno da oferta da plataforma. A expectativa é que a empresa resultante da fusão produza pelo menos 30 filmes para cinema por ano, mantendo os estúdios Warner Bros e Paramount. Na sexta-feira, a Paramount pagou a multa de rescisão de US$ 2,8 bilhões que a Warner devia à Netflix. A conclusão do negócio está prevista para o terceiro trimestre deste ano. A aquisição provavelmente obterá com facilidade a aprovação antitruste da União Europeia, e quaisquer desinvestimentos necessários deverão ser mínimos, informou a Reuters na sexta-feira, citando fontes. A Paramount, liderada por David Ellison, filho do bilionário Larry Ellison, tem fortes laços com o governo Trump — fator que, segundo analistas, pode ajudá-la a obter um tratamento regulatório mais favorável. *Com informações da agência de notícias Reuters
Ler matéria completaEntenda como EUA e Israel infiltraram o espaço aéreo do Irã e neutralizaram as defesas do país em poucas horas A população do Irã enfrenta desde o último sábado (28) um apagão de internet que reduziu o nível de conectividade do país a menos de 1% do normal. O bloqueio aconteceu após uma ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel ao território iraniano. Com a internet praticamente indisponível, cerca de 90 milhões de pessoas no Irã têm dificuldades para se comunicar, destacou nesta segunda-feira (2) o NetBlocks, iniciativa que monitora o funcionamento da internet ao redor do mundo. O embaixador do Brasil no Irã, André Veras Guimarães, confirmou no sábado (28) à TV Globo que a internet no país foi cortada e que a diplomacia enfrentava dificuldades para se comunicar com os brasileiros na região (veja no vídeo abaixo). Ataque ao Irã: entenda o que aconteceu e o que pode vir agora Embaixador do Brasil no Irã relata falta de internet e dificuldade de comunicação com brasileiros A medida limita a divulgação de incidentes no Irã e a participação cívica em um momento crucial para o país após o assassinato do aiatolá Khamenei em ataques aéreos dos EUA e de Israel, disse o NetBlocks. "Enquanto a maioria dos países se esforça para manter a conectividade em tempos de conflito internacional, o Irã silenciou novamente sua própria população", afirmou. A declaração faz referência a outros bloqueios de internet impostos pelo regime iraniano. O apagão anterior aconteceu no início de janeiro, em resposta aos protestos contra o governo que tomaram as ruas do país desde o final de 2025. Os níveis de conectividade também caíram para cerca de 1% do padrão e afetaram até mesmo o sinal da Starlink, internet via satélite que costumava continuar funcionando em situações como essa. Não há informações sobre a situação atual da Starlink no Irã. "Bloqueios são uma tática recorrente do regime, sendo que o caso anterior, em janeiro, durou várias semanas e mascarou graves violações de direitos humanos", destacou o NetBlocks. LEIA TAMBÉM: Data center da Amazon é atingido nos Emirados Árabes, e serviços ficam instáveis no Oriente Médio 'Não dá pra viver sem VPN': como brasileiros na Rússia driblam restrições às redes sociais 'Crise da memória' deve fazer venda de celulares ter maior queda da história em 2026 Conectividade de internet no Irã em 2 de março, após início de ofensiva militar dos EUA e de Israel contra o país Reprodução/NetBlocks Qual é o histórico do Irã com a internet? O primeiro bloqueio de internet imposto pelo regime iraniano aconteceu em 2019, após manifestantes tomaram as ruas por conta de um aumento nos preços da gasolina. O segundo aconteceu em 2022, em meio aos protestos após a morte de Mahsa Amini, que havia sido presa por supostamente não usar o véu islâmico de forma adequada. Na ocasião, a internet da Starlink, empresa do bilionário Elon Musk, foi uma das principais alternativas para manter a comunicação. Com o crescimento do serviço, o uso de suas antenas se tornou ilegal no país. Em 2025, o Irã acusou o WhatsApp de espionar usuários do país e contribuir com Israel. A Meta, dona do aplicativo, disse que as mensagens são criptografadas e não podem ser acessadas por ninguém além do remetente e do destinatário.
Ler matéria completaBarras de ouro Reuters Com a escalada da guerra no Oriente Médio após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o ouro voltou a disparar nos mercados internacionais nesta segunda-feira (2). Considerado um investimento de proteção em momentos de crise, o metal passou a ser mais procurado à medida que ações e outros ativos mais arriscados recuavam. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 🥇 Movimentos semelhantes já foram vistos em outras grandes crises recentes, como a guerra na Ucrânia, conflitos no Oriente Médio, tensões entre EUA e Irã, a guerra comercial entre EUA e China, e também durante a pandemia. Nos últimos meses, no entanto, a cotação do metal precioso tem chegado a patamares históricos. Desde o início de 2026, o ouro já vinha em trajetória de alta, impulsionado por incertezas políticas, dúvidas sobre os juros americanos e aumento das compras por bancos centrais. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em janeiro, o ouro atingiu o recorde histórico de US$ 5.595 por onça, alcançando o maior valor de sua história logo após superar, pela primeira vez, a marca dos US$ 5 mil. Nos últimos 12 meses até fevereiro, o preço do ouro acumulou valorização de mais de 85%, desempenho muito superior ao da bolsa brasileira e de outros investimentos populares. No mesmo período, o Ibovespa subiu cerca de 54%, o índice de ações que pagam dividendos avançou quase 49% e as ações de empresas menores, as chamadas small caps, tiveram alta de aproximadamente 44%. O que explica a alta do ouro? Segundo analistas, a busca por segurança explica grande parte desse movimento. Para Thiago Azevedo, sócio-fundador da Guardian Capital, a disparada é resultado de uma combinação de fatores globais. “O ouro atingiu níveis recordes principalmente por causa da expectativa de queda dos juros nas principais economias, do aumento das tensões geopolíticas e da procura por proteção do patrimônio. Em cenários assim, os investidores costumam reduzir a exposição a aplicações mais arriscadas e aumentar a presença em investimentos considerados mais seguros”, afirma. A atuação dos bancos centrais também tem sustentado os preços. De acordo com o economista Mauriciano Cavalcante, da Ourominas, vários países vêm trocando parte de suas reservas em dólar por ouro. Isso porque o ouro não depende de nenhum país específico, ao contrário do dólar, que está ligado à economia dos EUA. Por isso, em períodos de guerra, sanções ou instabilidade financeira, o ouro tende a manter valor melhor que moedas. “O preço do ouro sobe por diversos motivos, mas hoje o fator mais relevante é a procura dos bancos centrais, que estão ampliando suas reservas em ouro e diminuindo a dependência do dólar”, diz. Além disso, a escalada de tensões entre EUA e Irã, que culminou nos ataques do último sábado, e as dúvidas sobre a política monetária americana contribuem para a valorização. Quando há expectativa de juros mais baixos, investimentos que pagam rendimento se tornam menos atrativos, e o ouro ganha espaço. Taxas menores tendem a enfraquecer o dólar, tornando o metal mais barato para investidores de outros países. Após atingir recordes, o preço passou por ajustes pontuais, considerados naturais por especialistas. “Vejo esse recuo como uma realização de lucros por parte de quem entrou antes da alta, além de ajustes provocados pelo fortalecimento do dólar e pela oscilação dos juros americanos. Esse tipo de comportamento é comum em ativos globais como o ouro”, explica Thiago Azevedo. Ramiro Gomes Ferreira, cofundador do Clube do Valor, destaca que o metal funciona como um “termômetro do medo”. “Quando os piores cenários não se confirmam ou muitos investidores decidem vender para garantir o lucro, o preço costuma cair um pouco. Como o ouro não gera renda, seu valor depende da oferta, da demanda e do grau de incerteza dos investidores”, afirma. Vale a pena investir em ouro agora? Uma vendedora exibe joias de ouro dentro de uma loja da Senco Gold & Diamonds em Calcutá, Índia Reuters O ouro continua sendo procurado como porto seguro em tempos de crise e instabilidade econômica. Investidores recorrem ao metal porque, ao contrário de ações ou títulos, ele tende a manter seu valor mesmo em momentos de turbulência nos mercados financeiros. Guerras, conflitos internacionais e altas nos preços de commodities, como petróleo e gás, aumentam a demanda pelo ouro, que funciona como uma “proteção” contra perdas em ativos mais arriscados. Além disso, o metal ajuda a diversificar investimentos: em carteiras com ações, fundos imobiliários e renda fixa, ele pode reduzir riscos, evitando perdas maiores quando outros ativos caem. Para Mauriciano Cavalcante, apesar das oscilações recentes, ainda há espaço para novas altas. “Vale a pena investir em ouro porque a tendência é que o preço continue subindo diante do cenário geopolítico e econômico. Além disso, o metal preserva seu valor ao longo do tempo”, diz. Segundo ele, o ouro pode atender a diferentes perfis, e a fatia do patrimônio destinada ao metal pode variar entre 15% e 30%, de acordo com a tolerância ao risco do investidor. Já Thiago Azevedo vê o ouro principalmente como um instrumento de proteção, e não como uma aposta de curto prazo. “A questão não é se o ouro está caro ou barato, mas qual é o papel dele na carteira. Ele serve para proteção e diversificação. Para quem quer começar, faz mais sentido comprar aos poucos, ao longo do tempo”, afirma. Ramiro Ferreira ressalta que o ouro não gera renda e não tem um valor justo fácil de calcular. Historicamente, fica atrás de ativos produtivos, como ações, no longo prazo. “Comprar no topo [na alta] é, na prática, comprar o medo do mercado”, diz. Por não render juros, o ganho ocorre apenas se o preço subir. Por isso, quem optar por ter ouro deve limitar a exposição. “O ideal é que não passe de 3% a 5% da carteira, para não comprometer o crescimento do patrimônio”, afirma. Como investir em ouro No Brasil, há diferentes formas de investir no metal precioso: Ouro físico: compra de barras ou lâminas em empresas autorizadas (a partir de cerca de 1 grama). ETFs, ou Exchange Traded Funds (fundos negociados em Bolsa), como o GOLD11, negociado na B3; Fundos de investimento: com aplicação em ouro ou em empresas do setor; Contratos futuros: indicados apenas para investidores experientes. Para Thiago Azevedo, o metal continua relevante no médio e longo prazo. “O mundo ainda convive com alto endividamento público, riscos fiscais e conflitos geopolíticos. Por isso, o ouro segue cumprindo um papel importante como proteção contra choques e perda do poder de compra das moedas”, afirma. A expectativa do mercado é de que o preço continue volátil no curto prazo, mas mantenha uma tendência de alta no médio e longo prazo, caso persistam as incertezas globais e a perspectiva de cortes de juros nos Estados Unidos.
Ler matéria completaTrump recebe Milei pela primeira vez na Casa Branca Jonathan Ernst/Reuters O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou no domingo (1) que busca “uma aliança estratégica duradoura” com os Estados Unidos, que funcione como “política de Estado”. A declaração foi feita em discurso no Congresso que marcou o início da segunda metade de seu mandato, no qual prometeu 90 reformas para “redesenhar” o país. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Alinhado geopoliticamente a Estados Unidos e Israel, o governo Milei celebrou no sábado a operação dos dois países contra o Irã e voltou a acusar Teerã de participação no atentado contra a associação judaica AMIA, em 1994. Como parte de sua aproximação com o presidente Donald Trump, Milei afirmou no Congresso que “o Atlântico Sul é o terreno de disputa estratégica das próximas décadas” e que a Argentina atuará em sintonia com os Estados Unidos. “Rotas comerciais, recursos naturais, soberania marítima e a presença crescente de atores que não compartilham nossos valores estão em jogo. Quem controlar essa região controlará uma parte-chave do comércio global. A Argentina tem de ser esse ator”, disse, ao apresentar seu plano de governo para 2026. “Temos os minerais críticos de que o Ocidente precisa. Temos energia, gás, petróleo, energia nuclear e fontes renováveis para abastecer cadeias de produção em larga escala. Além disso, estamos no extremo sul do continente, com saída para dois oceanos e presença na Antártida”, acrescentou. Milei anunciou que pretende promover “90 reformas estruturais” em 2026 para construir “a arquitetura do Estado argentino para os próximos 50 anos, com a moral ocidental como política de Estado”. Segundo o presidente, as propostas incluirão mudanças nas áreas de economia, impostos, código penal, sistema eleitoral, educação, Justiça e defesa, entre outras. Defesa da abertura comercial O discurso de quase duas horas marcou o início do novo ciclo legislativo, após um 2025 turbulento, com denúncias de corrupção envolvendo integrantes do governo e episódios de instabilidade cambial. Ainda assim, a vitória nas eleições legislativas de outubro ampliou a base governista no Parlamento e permitiu avançar com seu programa. Na sexta-feira, o Congresso aprovou a reforma trabalhista, apesar da oposição dos sindicatos. “Milei só pode ir para frente”, afirmou à AFP o cientista político Pablo Touzón. “Seu movimento é bastante disruptivo, e a agenda de reformas é necessária para sustentar seu modelo econômico. O presidente dedicou a primeira parte do discurso a criticar o “Estado falido” que disse ter herdado, ao assumir um país “preso a uma teia de regulações”. Ele defendeu a abertura comercial como um dos pilares de seu projeto. “Depois de décadas de proteção, o resultado foi uma indústria pequena, cara, dependente de subsídios e com salários em dólares muito baixos”, afirmou, antes de atacar empresários que o criticaram nas últimas semanas pela liberação das importações, que afeta a produção nacional. Em vários momentos, o discurso foi interrompido por protestos de parlamentares da oposição. Milei respondeu chamando-os de “ladrões” e “delinquentes” que “têm sua líder presa”, em referência à ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar por acusações de corrupção. O resultado das eleições legislativas de outubro — nas quais o partido de Milei, A Liberdade Avança, obteve 40% dos votos — consolidou seu poder, após ter chegado à Presidência com uma base minoritária no Congresso. Milei é o político com maior índice de imagem positiva no país, com 41,5% de aprovação e 55,3% de rejeição, segundo a consultoria AtlasIntel. Inflação Desde que sucedeu o governo peronista de centro-esquerda de Alberto Fernández, Milei conseguiu uma forte desaceleração da inflação e promoveu um ajuste fiscal. A taxa anual caiu de 211,4% em 2023 — ano em que o peso foi desvalorizado pela metade — para 31,5% em 2025. Além disso, a Argentina registrou superávit fiscal por dois anos consecutivos pela primeira vez desde 2008. O ajuste, porém, teve custos elevados: queda no consumo, maior abertura às importações e o fechamento de mais de 21 mil empresas em dois anos, com perda estimada de 300 mil empregos, segundo sindicatos. A economia cresceu 4,4% em 2025, impulsionada pela agricultura e pelo setor financeiro, enquanto a indústria e o comércio — dois dos maiores empregadores — encolheram. “Milei faz as coisas bem para um setor, mas não se importa se isso prejudica outro”, afirmou Emanuel, de 29 anos, funcionário de uma empresa de energia. “O problema é quando a maioria acaba ficando em situação pior”, disse à AFP.
Ler matéria completaDe onde vem o que eu como: chocolate O brasileiro vai enfrentar mais um ano de preços altos na hora de comprar chocolate para a Páscoa. Na prévia da inflação de fevereiro, o chocolate em barra e o bombom acumulam alta de 26%, em 12 meses, segundo o IBGE. No campo, as cotações do cacau já estão em queda, mas as amêndoas usadas pela indústria na produção dos ovos foram compradas quando os preços ainda batiam recordes de alta no mercado internacional, explica o analista da StoneX, Lucca Bezzon. Nesta semana, o governo brasileiro decidiu suspender a importação de cacau da Costa do Marfim, principal fornecedor do Brasil e maior produtor mundial. Mas, segundo Bezzon, a medida não deve provocar falta de amêndoas nem pressionar os preços no Brasil, principalmente porque a demanda da indústria por cacau está enfraquecida. Além disso, o mercado brasileiro é abastecido majoritariamente pela produção nacional, recorrendo à importação de amêndoas de forma sazonal, sobretudo no início do ano, durante a entressafra, diz o analista. "E, no caso de o Brasil precisar de cacau, pode recorrer ao Equador, que está com uma grande safra", diz o sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo. A seguir entenda: por que o chocolate está caro e quando vai baixar; o que motivou a disparada de preço; por que o preço do cacau caiu no campo. Fávaro diz que compras de Cacau da Costa do Marfim foram suspensas para evitar doenças Por que o chocolate ainda está caro? Vai baixar? O preço do cacau pago ao agricultor começou a cair no campo no ano passado, mas a queda ainda não chegou ao consumidor. Segundo Bezzon, isso ocorre porque a indústria trabalha com compras antecipadas da matéria-prima. "As fabricantes de chocolate compram a manteiga e o pó de cacau das moageiras com uma antecedência de 6 a 12 meses", diz o analista. “Para a produção dos chocolates desta Páscoa, a indústria chegou a pagar entre US$ 6 mil e US$ 10 mil por tonelada pelos subprodutos do cacau. Hoje, esse valor já caiu para cerca de US$ 3 mil.” Enquanto o produtor recebe menos pelo cacau e o consumidor paga mais pelo chocolate, a indústria tem aproveitado esse momento para aumentar os seus lucros. "A indústria de chocolate passou por anos de margens apertadas devido ao déficit global de cacau e, agora, está priorizando a recuperação de suas margens de lucro antes de repassar qualquer redução ao consumidor", diz o sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo. Segundo ele, a queda de preço no supermercado deve acontecer a partir do segundo semestre deste ano. Bezzon, da StoneX Brasil, tem uma visão semelhante. "Se os preços internacionais e domésticos do cacau se mantiverem baixos, haverá uma normalização gradual ao longo do ano", diz. Antes de virar chocolate, semente do cacau sangra e morre; entenda De resto de açougue a iguaria valorizada, pé de galinha virou 'negócio da China' para o Brasil Na prévia da inflação de fevereiro, o chocolate em barra e o bombom acumulam alta de 26%, em 12 meses, segundo o IBGE. Unsplash/ Tetiana Bykovets O motivou a disparada de preços? O preço alto do chocolate na prateleira ainda é resultado de uma forte diminuição da colheita de cacau que aconteceu no Brasil e nos principais produtores africanos, como Costa do Marfim e Gana, em 2024. Os países produtores sofreram com o El Niño, que provocou secas e excesso de chuvas no momento errado, além de pragas e doenças. A indústria brasileira conta, principalmente, com as amêndoas nacionais para produzir chocolate, mas recorre aos países africanos para suprir parte da sua demanda. "Sem essas duas fontes de fornecimento, os preços domésticos subiram até mais rápido do que os preços internacionais em 2024", diz Bezzon. "As regiões de maior poder aquisitivo, como a Europa e os Estados Unidos, competiram pelo pouco cacau africano disponível, agravando a escassez para outros mercados", destaca. Em janeiro de 2025, o preço do cacau chegou a US$ 10 mil por tonelada na Bolsa de Nova York, considerando a média mensal. Um ano antes, a cotação girava em torno de US$ 4 mil por tonelada. Por que o preço do cacau caiu no campo Ainda no ano passado, os preços do cacau começaram a cair para o produtor, principalmente depois de julho, puxados por uma recuperação das colheitas no Brasil e em países africanos, diz Cogo. "Além disso, o volume de importação começou a crescer com a queda do dólar", acrescenta. O analista da StoneX Brasil tem uma visão diferente. Para ele, "a queda de preços no Brasil é muito mais por falta de demanda do que realmente por uma recuperação da produção". "A alta excessiva do preço do cacau gerou uma mudança estrutural nas fórmulas dos chocolates: as indústrias reduziram o tamanho das barras e substituíram a manteiga de cacau por outras gorduras e óleos", afirma. "Como as indústrias de confeitaria diminuíram a compra de subprodutos [do cacau], as moageiras (processadoras) também reduziram as compras de amêndoas, fazendo os preços no Brasil despencarem", destaca. Na Bahia, por exemplo, os agricultores estão recebendo R$ 200, em média, pela arroba do cacau, valor 70% abaixo do que há um ano, segundo reportagem do Globo Rural (veja vídeo no final da reportagem). A situação tem gerado protestos. No dia 18 de fevereiro produtores rurais interditaram, mais uma vez, a BR 101 em Ibirapitanga, no sul da Bahia, contra a importação e os preços baixos do cacau, exigindo do governo maior controle sanitário sobre a amêndoa que vem de outros países. A resposta veio dias depois. Nesta semana, o Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente a importação de cacau da Costa do Marfim, alegando riscos de introdução de pragas e doenças. Segundo o governo, esse risco existe porque há uma "possibilidade" de que grãos de cacau da Libéria e de Guiné – que não têm autorização para exportação para o Brasil – estariam sendo misturados aos lotes da Costa do Marfim importados pela indústria nacional. "Se de fato isto está acontecendo, começamos a correr risco sanitário da amêndoa que entra no Brasil. [...] Tem que ter certeza do que está entrando, para não ter risco de trazer doença para a nossa cultura cacaueira", afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em entrevista à GloboNews na sexta-feira (27). Carlos Cogo diz que a decisão do governo é "soberana" e que "deve ser respeitada", mas interpreta a medida como uma resposta à forte pressão do setor produtivo para conter a queda dos preços domésticos. Bezzon, da StoneX Brasil, afirma que, atualmente, há excesso de cacau na Costa do Marfim, que também enfrenta dificuldades para escoar a própria produção. “Hoje, não existe incentivo financeiro para que a Costa do Marfim compre cacau de países vizinhos para revendê-lo ao Brasil”, ressalta. Em 2025, a produção brasileira de cacau alcançou 186.137 toneladas, enquanto as importações chegaram a 42.199 toneladas, segundo dados da StoneX Brasil. Do total do volume importado, 81% teve origem na Costa do Marfim, o maior produtor mundial de cacau. Produtores de cacau protestam contra baixos preços na BA
Ler matéria completaComo o colapso do Banco Master mostrou os limites da garantia do FGC Morando em Nova York há quatro anos, onde trabalha como au pair, Marina*, de 27 anos, decidiu investir os R$ 10 mil que havia economizado para voltar ao Brasil. Sem experiência no mercado financeiro, recorreu ao ChatGPT em busca de orientações para iniciantes. Atraída pela promessa de retorno elevado e pelo prazo curto de resgate, optou por um Certificado de Depósito Bancário (CDB) do Banco Master. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação da instituição, Marina descobriu que praticamente todo o valor que tinha guardado estava comprometido. Apesar do susto, conseguiu reaver o montante por meio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo ela, o processo foi rápido e levou menos de 24 horas. Mas milhares de outros clientes ainda aguardam ressarcimento. “Quando vi o valor creditado, fiquei muito aliviada”, disse Marina. “Quero continuar investindo, mas preciso entender melhor. Estou começando a assistir a aulas e a procurar informações sobre os melhores tipos de investimento.” Para especialistas ouvidos pelo g1, a quebra do Banco Master expõe fragilidades de um modelo de expansão amplamente adotado por bancos, corretoras e fintechs, que se apoiaram na garantia do FGC para vender CDBs e outros títulos supostamente seguros a investidores com pouco conhecimento sobre o mercado. O episódio gerou abalo na confiança e levou investidores a adotar uma postura mais conservadora. Já os bancos precisarão destinar mais recursos para recompor o fundo, o que pode afetar até a concessão de crédito aos clientes. 🔎 Este texto faz parte de uma série especial do g1 que investiga as repercussões do caso do Banco Master e seus desdobramentos. A apuração analisa as causas da liquidação, o funcionamento e limites do FGC, bem como os efeitos que vão além das perdas imediatas. Promessa de segurança O FGC foi criado em 1995 e funciona como um seguro. É ele quem garante que o dinheiro depositado ou aplicado em um banco esteja protegido caso a instituição enfrente crise ou quebre, como ocorreu com o Banco Master. O fundo garante a devolução de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada grupo financeiro. Também há um limite total de R$ 1 milhão a cada quatro anos, somando o valor aplicado e os rendimentos acumulados até a data da liquidação ou falência. Mas a economista Ione Amorim, do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), afirma que o fundo passou a ser usado como “argumento de venda” por corretoras e bancos para diminuir a percepção de risco dos CDBs e de outros investimentos de renda fixa. Além do selo de “protegido pelo FGC”, esses títulos ganhavam ainda mais credibilidade ao serem oferecidos por grandes plataformas de investimento. “O FGC foi apresentado como garantia absoluta para atrair investidores menos experientes. Todo investimento envolve risco, mesmo com a proteção do fundo, e isso, pelo visto, nem sempre foi explicado de forma clara pelas corretoras”, afirma. Nesse mercado, também há incentivos comerciais que influenciavam a oferta desses produtos por gerentes e assessores de investimento, que recebem comissões pela indicação de determinados títulos. Para clientes que não utilizavam serviços de recomendação, as corretoras davam destaque aos papéis do Master, posicionando os CDBs do banco “na altura dos olhos” entre as opções disponíveis. Alexandre Gonçalves, de 29 anos, já investia em fundos multimercado e imobiliários. Decidiu diversificar com a aplicação de parte do dinheiro em títulos de renda fixa, uma modalidade geralmente associada a investidores mais conservadores. Ele investiu R$ 15 mil em CDBs do Banco Master. Segundo ele, o que o convenceu a aplicar dinheiro no Master foi a combinação de “segurança e rentabilidade” de uma campanha de marketing de sua corretora, enviada por e-mail. Enquanto bancos saudáveis pagam em torno de 100% a 110% do CDI, o Master chegou a oferecer até 140% — um demonstrativo de que havia mais risco atrelado. Com a quebra do banco, ele passou a depender do FGC para recuperar o valor. “Demorou, mas deu certo. Depois que liberaram o pedido de ressarcimento, o dinheiro caiu na conta em quatro dias. Mas, desde a liquidação do banco, foram meses de espera”, afirmou Alexandre. “Foi um alerta para entender melhor a origem dos investimentos e as instituições com as quais estou lidando.” Segundo o advogado Adilson Bolico, sócio do Mortari Bolico Advogados, essa dinâmica pode ter gerado uma “quebra do dever fiduciário” — isto é, da obrigação dos bancos e corretoras de agir no melhor interesse do cliente. “As corretoras, como intermediárias e distribuidoras de investimentos, têm obrigações regulatórias e de controle interno”, diz. Já para o advogado Roberto Panucci, especialista em direito bancário, o fato de os valores garantidos terem sido devolvidos não é suficiente para medir o impacto econômico real do episódio. Segundo ele, recuperar o dinheiro não significa que o investimento tenha sido vantajoso. “Um título que, no papel, prometia rendimento acima do CDI pode, após meses de espera, render muito pouco ou até gerar perda real, quando se considera a inflação e o tempo em que o dinheiro ficou parado”, afirma. Entre a decretação da liquidação e o pagamento, o investidor não tem acesso aos recursos, o que elimina a vantagem de ter aceitado taxas mais altas. Revisão do FGC Marina e Alexandre estão longe de ser casos isolados. Eles fazem parte dos cerca de 800 mil investidores com direito à garantia do FGC apenas por causa do Banco Master. Somando Master, Will Bank e Banco Pleno, que fazem parte do mesmo grupo e entraram em liquidação desde novembro, o FGC deverá pagar cerca de R$ 51 bilhões para ressarcir clientes e investidores afetados. O fundo informou que já desembolsou R$ 37,2 bilhões. Ao todo, 653 mil credores do Master receberam os valores, o que representa 84% dos beneficiários. O FGC afirma que os casos pendentes envolvem empresas e situações específicas, como menores de idade e inventários. Esses pagamentos costumam demorar mais porque exigem documentos adicionais para comprovar o direito ao ressarcimento. As listas de credores do Will e do Pleno ainda não foram finalizadas, uma condição necessária para que o fundo inicie os pagamentos. Como mostrou o g1 na primeira reportagem desta série, o caso mais dramático é o do Will Bank, pois os clientes, de renda média e baixa, precisam do dinheiro para o pagamento de despesas básicas. Os recursos do FGC vêm dos próprios bancos associados, que fazem contribuições mensais. Antes do caso Master, o fundo tinha mais de R$ 140 bilhões em caixa para cobrir emergências e preservar a estabilidade do sistema financeiro. Agora, será preciso recompor esse valor. Como pode precisar levantar quase um terço do que tinha em caixa, o FGC discute medidas como: 💰 Antecipar contribuições dos bancos que seriam pagas nos próximos anos — o plano prevê adiantar o equivalente a 60 meses de contribuições ainda em 2026, além de mais 12 meses em 2027 e outros 12 meses em 2028. 📈 Criar uma cobrança extra, sem prazo definido, a ser paga pelas instituições financeiras associadas. 🏦 Negociar com o Banco Central o uso de parte do compulsório para reforçar os recursos do FGC, reduzindo a pressão direta sobre o caixa das instituições. Especialistas ouvidos pelo g1 defendem uma revisão ainda mais profunda do modelo de financiamento do FGC, para que instituições mais arriscadas contribuam com valores maiores. “A contribuição deveria refletir o risco da instituição”, afirma o economista Armando Castelar, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Segundo ele, a cobrança igual para todos buscava estimular a entrada de bancos menores, mas essa fase de incentivo à concorrência já foi superada. Hoje, os bancos pagam uma taxa mensal de 0,01% sobre o saldo dos depósitos cobertos pelo fundo — caso de CDBs, poupança, Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), por exemplo. Em agosto, o Conselho Monetário Nacional (CMN) criou uma cobrança adicional para instituições mais expostas a riscos, elevando a taxa para 0,02%, e determinou que mantenham uma parcela maior de recursos aplicada em títulos públicos. Para o advogado Roberto Panucci, as medidas aumentam o custo para bancos que assumem riscos excessivos, mas não resolvem o problema central. “Ao encarecer o uso da cobertura do FGC, o regulador reconhece que o modelo atual gera incentivos distorcidos. A reforma é, na prática, uma admissão de que a garantia estimula comportamentos de risco.” Segundo ele, a lógica permanece a mesma, sem mecanismos que levem o cliente a dividir parte do risco ou avaliar melhor a instituição que quer investir. Para o advogado, não há medidas que façam o investidor refletir sobre o risco de o banco não ter dinheiro para honrar os compromissos. “A consequência é que situações como a do Banco Master continuam, em tese, possíveis.” A grande consequência é que parte desse custo tende a ser repassada aos demais consumidores, por meio de tarifas mais altas, juros maiores nos empréstimos ou menor rendimento nas aplicações financeiras. Ou seja, até quem não investiu nos bancos em dificuldade pode sentir os efeitos indiretos da crise. Além disso, a necessidade de destinar recursos ao fundo pode levar bancos e fintechs a adotar uma postura mais cautelosa na concessão de crédito. Para Ione Amorim, do Idec, com menos capital disponível, as instituições devem “apertar os critérios”, reduzindo a oferta ou encarecendo financiamentos para pessoas físicas e empresas. “Enquanto os controladores não sentem o impacto da quebra, os prejuízos recaem sobre os mais vulneráveis”, diz. * Nome fictício a fim de preservar a identidade da fonte. Fachada do Banco Master na cidade de São Paulo, nesta terça-feira, 18 de novembro de 2025. Werther Santana/Estadão Conteúdo
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